terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Cristiano Ronaldo: A superação máxima no contexto errado

 

3ª Parte- A desvalorização desportiva que leva a ser considerado egocêntrico



Como escrevi, Cristiano Ronaldo tem mais assistências que Messi na Liga dos Campeões e mais do dobro dos golos a partir dos quartos de final.

Jogou em clubes com menor orçamento que Messi e o seu país teve quase 4 vezes menos nomeações que o país de Messi em médios e avançados entre os melhores jogadores do mundo a jogar na Europa entre 2007 e 2020.

No basquetebol no tempo de Michael Jordan não havia dúvidas quem era melhor. No século XXI não existem dúvidas que Tom Brady é o melhor da NFL. Na natação Michael Phelps não têm comparação, tal como Usain Bolt no Atletismo.

Porque motivo Cristiano Ronaldo não goza do mesmo estatuto?

Porque o futebol ao contrário de todos os outros desportos, não avalia os seus protagonistas enquanto atletas nem a sua capacidade de aumentar a probabilidade da sua equipa vencer ou o seu rendimento desportivo.

O futebol mesmo para os especialistas é popular, não privilegia o mérito, privilegia aquilo que mais facilmente é conotado como espectáculo em prol daquilo que é mais difícil de executar. Não avalia a capacidade do adversário e estabelece como métrica um evento (Mundial) em que os protagonistas dependem da sorte do país em que nasceram ter ou não grandes jogadores para fazerem combinações de jogadas.

Cristiano Ronaldo, tal como Michael Jordan, Tom Brady, Usain Bolt ou Michael Phelps é obcecado pelo sucesso. Trabalha no limite, luta arduamente desde os 6 anos de idade para ser o melhor, quando a sua equipa está em maiores dificuldades ele sente que têm de estar no melhor momento. É minucioso com todos os detalhes e trabalha sempre em busca da perfeição.

Por isso ele não admite que alguém com muito menos rendimento que ele possa ser considerado melhor.

Por isso ele sente-se injustiçado porque nos últimos 30 anos no desporto ninguém foi tão desvalorizado desportivamente como ele.

 

Phil Jackson no final dos treinos dos Chicago Bulls fazia um jogo curto entre os jogadores. Muitas vezes acontecia que a equipa de Michael Jordan estava a vencer e o treinador decidia mudá-lo para a equipa que estava a perder. Quase sempre com o seu espírito de reviravolta Michael Jordan conseguia impulsionar os colegas para a vitória.

Um simples exemplo que mostra que os melhores desportistas de sempre veêm-se nos momentos mais difíceis.

Na Liga dos Campeões a partir dos quartos-de-final Cristiano Ronaldo em 13 eliminatórias teve as suas equipas em posição desfavorável. Em 6 conseguiu marcar. Já Lionel Messi teve a sua equipa por 14 vezes em situação de desvantagem na eliminatória e apenas por 2 vezes conseguiu marcar, sendo uma de penalty.

 

Cristiano Ronaldo

 

Golos

QF

MF

F

TOTAL

Desvantagem

4

4

0

8

Igualdade

7

2

2

11

Vantagem

14

7

2

23

TOTAL

25

13

4

42

 

Eliminatórias equipa em desvantagem

QF

MF

F

TOTAL

5

6

2

13

Eliminatórias que marcou

QF

MF

F

TOTAL

3

3

0

6

 

Messi

 

Golos

QF

MF

F

TOTAL

Desvantagem

2

2

Igualdade

3

2

1

6

Vantagem

7

4

1

12

TOTAL

12

6

2

20

 

 

Eliminatórias equipas em desvantagem

QF

MF

F

TOTAL

8

6

 

14

Eliminatórias que marcou

QF

MF

F

TOTAL

2

0

 

2

 

Qualquer equipa do mundo que está a vencer uma eliminatória da Liga dos Campeões contra um clube de Ronaldo ou Messi é natural que baixe as linhas e aposte mais na transição e contra-ataque.

Com menos espaço para jogar, quase sem possibilidade de progredir com a bola, rematar e driblar adversários é fundamental a capacidade de finalização ao primeiro toque na área. Este é um fundamento que Cristiano Ronaldo é muito melhor que Messi e por isso nestas circunstâncias conseguiu ser ao longo da história muito mais preponderante para o sucesso das suas equipas.

Cristiano Ronaldo quer bater todos os recordes, por isso antes do Mundial assumiu quer estar no Euro2024. Não gere a sua imagem em prol de sair no auge. A sua estratégia de falar sobre os seus problemas no Manchester United é semelhante quando o brasileiro Ronaldo fez um penteado novo no Mundial2002 para distrair a imprensa. Na altura o penteado desviou as atenções sobre os companheiros e fez recair sobre ele o protagonismo da seleção brasileira que estava a ser muito criticada depois de um apuramento muito sofrido.

As críticas ao onze de Fernando Santos diminuíram drasticamente desde a entrevista de Cristiano Ronaldo. Portugal obteve o terceiro melhor resultado de sempre na competição. Parece que não foi melhor por culpa de Cristiano Ronaldo.

Cristiano Ronaldo não precisa de Portugal para nada e antes, durante e após este Mundial tem sido alvo de duras críticas por parte dos portugueses e da imprensa nacional. Será este o exemplo que estaremos a dar para a nossa próxima grande estrela abandonar a seleção quando fizer 30 ou 32 anos, para fugir da crítica?

Já Lionel Messi em 2016 após perder a final da Copa América, aos 29 anos foi o primeiro a abandonar o barco, ao escrever uma carta a anunciar a sua retirada da seleção. Quando o país mais precisava dele ele decidiu fugir.

Após negociações e dadas as condições que o jogador pediu decidiu voltar atrás.

Convém recordar que um estudo de marca em 2018 revelou que o tenista Juan Martin del Potro que nunca foi número 1 do Mundo era mais popular na Argentina do que Messi.

Após ter sido expulso no jogo de terceiro e quarto lugar da Copa América de 2019 Messi afirmou que a “Argentina não tem de fazer parte dessa corrupção”. Neste momento ele ganhou o público argentino.

Nada que admire num país que valoriza mais uma mão de um jogador que uma jogada que finta 4/5 adversários e percorre mais de metade do campo com a bola. Um país que recentemente viu uma final da Copa Libertadores transferida para Espanha fruto do comportamento de adeptos dos dois seus principais clubes.

Neste Mundial Messi após todo o favorecimento que o árbitro lhe deu no Argentina-Países Baixos afirma “é o pior árbitro do Mundial e não pode arbitrar mais”.

Lionel Messi acabou o Mundial e foi venerado por todo o mundo, árbitros incluídos.

Lionel Messi pode dizer o que quer, insinuar o que quer, porque após ter ganho por completo o endeusamento do seu povo argentino ganhou uma dimensão mítica no desporto rei, apenas comparado com Maradona.

No Basebol (filme de Clint Eastwood- As voltas da vida), Basquetebol, Futebol Americano, Andebol, Voleibol qualquer desportista para ser eleito o melhor do mundo têm de o melhor rendimento dos momentos mais difíceis do jogo. Na história destes desportos os maiores protagonistas não fogem das dificuldades e nem acusam os árbitros quando o seu rendimento não é o suficiente para levar as equipas às vitórias. Mas o futebol é um fenómeno completamente à parte.

Por isso nos livros de história a superação de Ronaldo ficará injustamente quase apenas conotada pelos seus registos goleadores em bruto (sem comparação com os adversários e fases das competições).

A realidade, essa, é completamente diferente, mas ninguém quererá saber disso.

P.S.: Por isso mais do que ler livros ou ver documentários eu pessoalmente prefiro ver jogos completos de futebol desde a década de 60. Porque talvez o mais importante esteja ainda por ser contado.

Cristiano Ronaldo: A superação máxima no contexto errado

 

2ª Parte- A parte táctica e técnica

 

         Ao longo dos anos Cristiano Ronaldo foi rotulado como um enorme goleador enquanto Messi como um jogador que comporta mais à equipa. Curiosamente na Liga dos Campeões o jogador português soma mais  assistências que Messi.

         No meu entender importa analisar a exibição de Cristiano Ronaldo na final da Liga dos Campeões de 2014. Cristiano Ronaldo estava lesionado e mais tarde soubesse que arriscou a carreira ao jogar o Mundial, por esse motivo ao contrário do habitual, não podia jogar descaído para o lado esquerdo para fazer as suas habituais combinações estonteantes com Benzema nem buscar situações de progressão com a bola para a finalização. Cristiano Ronaldo jogou no meio do terreno tentando auxiliar os colegas em situações de finalização.

         Este jogo provou que Cristiano Ronaldo é um extraordinário criador de jogo. Apenas não vimos ao longo da carreira mais exibições destas em prol de criação de jogadas para os colegas porque estando ele ocupando posições mais entre a esquerda e o meio a probabilidade de golos da equipa é muito maior.



Nesta primeira montagem de 4 fotos, vemos na parte superior o passe de Cristiano Ronaldo para Bale aos 77 minutos da final de 2014. Em baixo vemos o passe de Messi para Alvarez na Final do Mundial de 2022. Na primeira fotografia de cada lance em cima está o jogador a passar a bola, na segunda de cada lance o jogador de baixo está a receber a bola. No canto inferior direito vemos destacado a azul McAlister e uma seta com o respectivo movimento que vai fazer.

Esta fotografia mostra que foi praticamente um lance a papel químico. Em 2014 este passe de Ronaldo foi completamente ocultado por toda a comunicação social. Em 2022 este passe de Messi foi considerado magistral, como o momento mais importante da jogada, quando na verdade Alvarez faz um passe muito mais longo para o espaço vazio envolvendo mais risco de precisão e tento por isso mais preponderância para que McAlister assista Di Maria.




Nesta segunda foto vemos na parte de cima uma jogada do Real Madrid na final da Liga dos Campeões de 2014.Vemos um passe interior excepcional de Modric (jogador à esquerda com círculo laranja) para Cristiano Ronaldo (jogador à direita com círculo laranja) que ao primeiro toque vai fazer o passe para Bale (círculo azul vem em progressão). Cristiano Ronaldo posicionou-se da melhor maneira entre 4 jogadores do Atlético de Madrid e soltou a bola ao primeiro toque num espaço curto em que Bale teve uma triangulação de jogadores perto de si.

Messi neste Mundial não fez nenhum passe de construção de jogo do nível deste de Modric, mas a cada passe em arco que fazia era conotado como excepcional.

As duas fotografias de baixo são a jogada do terceiro golo da Argentina. No canto inferior esquerdo vemos entre dois jogadores franceses, mais à esquerda Lautaro que teve um movimento excpecional de receber a bola e de costas dar de primeira em Messi. Messi fez um passe horizontal curto para Enzo, 2º jogador mais à direita no círculo laranja do canto inferior direito. Facilmente se percebe que dado o espaço Messi fez um passe de muito menor grau de dificuldade que Cristiano Ronaldo em cima.

Mas mais uma vez o passe de Ronaldo foi completamente ocultado enquanto o de Messi foi rotulado como decisivo para o golo. Quando o primeiro passe de Lautaro, a abertura diagonal de Enzo tiveram menos espaço e romperam muito mais a defesa contrária.

 



Neste exemplo vemos na parte de cima Cristiano Ronaldo dentro da área no meio de 3 jogadores do Atlético de Madrid com um círculo laranja e a azul Benzema entre dois jogadores. Cristiano Ronaldo ao primeiro toque rodeado por três conseguiu fazer o passe para Benzema que estava em desmarcação rodeado por 2. Teve que ao primeiro toque analisar os movimentos de 5 jogadores adversários!

Na parte de baixo vemos o passe de Messi para Molina no primeiro golo da Argentina frente aos Países Baixos.

Este foi indubitavelmente o melhor momento de Messi neste Mundial. Vindo em sentido contrário conseguiu fazer um passe diagonal para o outro lado. Este foi um lance que prova que nos grandes jogos Messi é muito mais perigoso como criador de jogo do que como finalizador. A inversão do passe em relação à corrida, a precisão do mesmo num espaço de 12 metros e o facto de ter um jogador a pressionar-lhe e Molina também estar pressionado à direita fazem deste um passe mágico.

O passe de Cristiano Ronaldo foi de 6 metros ao primeiro toque, não teve que inverter a tendência da jogada, mas teve no cômputo geral a pressão de 5 jogadores.

Comparar a dificuldade de cada um dos lances é subjetivo. Esteticamente o passe de Messi é mais bonito, mas é difícil dizer que após o passe de Messi o aumento da probabilidade de golo foi muito maior que após o passe de Cristiano Ronaldo.

Aquilo que aconteceu foi que o passe de Messi foi conotado como algo genial, único e histórico e o de Cristiano Ronaldo foi completamente ocultado.

 

A valorização de Messi em comparação com outros jogadores:



Neste exemplo vemos na parte de cima o terceiro golo da Argentina resultante duma progressão com a bola pouco depois do meio-campo de Lionel Messi em duelo com Gvardiol. Vemos num grande círculo a laranja todo o espaço livre que existe. No canto superior direito a Azul vemos onde está posicionado Lovren e a distância de quase 10 metros de Messi, que facilitou o passe.

Em baixo vemos que Alvarez no lance do segundo golo começa a correr antes do meio-campo e tem 3 adversários em corrida sem bola não muito longe. No canto inferior direito vemos Alvarez no meio de 3 jogadores croatas e este conseguiu ganhar os ressaltos e fazer golo.

Para além desta jogada Alvarez marcou o terceiro golo e ganhou o penalty num lance semelhante com o segundo golo. Esteve envolvido directamente em 3 lances de golo; Messi teve apenas num, mas o melhor em campo foi Messi.


 

Nestas 3 fotos a laranja vemos Mbappé e os adversários que lhe estão a estorvar a acção. Num espaço de 5 metros conseguiu vencer a pressão de 4 adversários e rematar à baliza, numa jogada absolutamente excepcional, quase sem espaço e muito maior dificuldade que a de Messi no exemplo em cima. Mais uma vez Mbappé não teve nem metade do protagonismo de Messi.

 

Conclusão:

 

Cristiano Ronaldo lesionado na final da Liga dos Campeões de 2014 criou 3 jogadas fantásticas para os colegas, teve na simulação que ajudou ao golo de Sérgio Ramos, ganhou um penalty mas a imprensa internacional disse que teve uma exibição pouco conseguida e que Di Maria apenas com um remate para uma recarga, um livre frontal ganho e um grande passe foi o melhor em campo.

Lionel Messi teve influência directa em 3 lances de golo, influência importante no golo de Di Maria e ainda teve uma tabela muito boa com Enzo no jogo com a Croácia em que podia ter marcado.

Objectivamente, Cristiano Ronaldo num jogo que jogou lesionado teve em 5 lances de oportunidade golo e Messi desde os quartos-de-final neste Mundial teve papel importante na criação de 5 jogadas de oportunidade de golo.

Cristiano Ronaldo foi criticado pela imprensa nacional e internacional e Messi foi eleito o melhor em campo em cada um dos três jogos.

Falando na influência directa em golos a partir dos quartos-de-final Alvarez e Mbappé tiveram em 4 jogadas de golo e Messi em 3, mas isso foi completamente ocultado sendo Messi considerado claramente o melhor jogador do Mundial.

 

 

 

 

 

 

Cristiano Ronaldo: A superação máxima no contexto errado

       1ª Parte- Os números

 

        

        Com a finalização do último campeonato do Mundo vários comentadores e figuras históricas do futebol Mundial afirmaram perentoriamente que Lionel Messi com o título mundial obtido pela Argentina torna-se o melhor jogador da história do futebol.

         Esta conclusão perfeitamente descontextualizada e desprovida de qualquer razão é apenas mais um momento na história do futebol que demonstra efectivamente que neste desporto não existem critérios racionais para fazer comparações.

         A aferição do rendimento dos futebolistas ao longo da história é pessimamente medida pelos seus protagonistas.

         No Basquetebol por exemplo, existem estatísticas detalhadas sobre o rendimento dos jogadores em cada fase da NBA que estão à distância de um clique no Google. Fala-se na quantidade de vezes que um jogador foi eleito MVP do campeonato e da Final em específico.

         No Andebol é normal um jogador ser o melhor do mundo num ano sem vencer qualquer título se o seu rendimento o justificar, tem-se em conta o rendimento nas fases adiantadas das provas de clubes e seleções e não apenas o cômputo geral da prova. O que faz por exemplo que o melhor marcador da história da Liga dos Campeões Kiril Lazarov não seja sequer equacionado como um dos 10 melhores jogadores de sempre.

         Cristiano Ronaldo cresceu para o futebol a admirar Fábio Paim. Começou a sua carreira sénior por ser um extremo habilidoso, demasiado colado à linha, sempre à procura de fintas e dribles estonteantes e a tentar resolver os jogos individualmente. Hoje é o melhor marcador e rei das assistências da história da Liga dos Campeões, inventou uma nova posição no futebol, não sendo nem um extremo nem um avançado puro. Para isso contribuiu naturalmente a extraordinária melhoria do seu jogo aéreo ao longo dos anos, de remates de pé esquerdo e pé direito e naturalmente a melhoria significativa do seu posicionamento em todas as zonas dos últimos 25 metros.

         Cristiano Ronaldo assumiu que percebeu que tinha de deixar de ser um jogador obcecado por fintas e dribles para se tornar mais completo e por isso estabelecer números que se julgavam impossíveis de alcançar por qualquer jogador.

         A diferença de rendimento de Cristiano Ronaldo perante qualquer outro jogador desde 2007 é absolutamente gritante e sem alvo de quaisquer comparações.

         A Liga dos Campeões desde 2003/2004 têm um sorteio puro nos quartos-de-final. Por isso a dificuldade de jogar um jogo nos quartos-de-final pode ser mais do que a própria final, porque estará dependente do sorteio e não do rendimento das equipas nas fases antecessoras. Neste contexto, de analisar os melhores jogadores do mundo, importa fundamentalmente analisar o rendimento destes a partir desta fase da prova. Os elevados salários que auferem acontecem em larga medida devido à capacidade que têm para contribuir para a sua equipa obter um grande rendimento nesta fase.

         Cristiano Ronaldo ao longo da história têm 49 jogos a titular e 42 golos nesta fase. Lionel Messi têm 40 jogos a titular e 20 golos. Portanto o português têm o dobro dos golos e uma média de 0,85 contra 0,5 do jogador argentino. Na mesma fase da prova têm 6 assistências apenas menos uma que Lionel Messi.




            Ao longo da história Cristiano Ronaldo teve 12! épocas em que marcou mais do que um golo nesta fase da prova. E por 8! vezes marcou mais que 2 golos. Lionel Messi teve 6 épocas (metade) que marcou mais que um golo e apenas 4! com mais do que dois golos.

         Desde que Pep Guardiola abandonou o Barcelona Messi marcou 7 golos a partir desta fase da prova. Cristiano Ronaldo MARCOU O QUADRÚPLO 28. O plantel do Real Madrid entre 2013-2018 sem Cristiano Ronaldo foi avaliado pelo site transferencemarket em 3883 milhões de euros, enquanto o do Barcelona sem Messi foi avaliado em 3627,85. Uma diferença bastante ligeira que evidentemente não explica este diferencial de números.

         Desde 2007 os clubes que Cristiano Ronaldo jogou pelo mesmo portal sem ele foram avaliados em 8706,7 milhões de euros enquanto os clubes que Messi jogou sem ele foram avaliados em 9499 milhões de euros.

         Xavi e Iniesta juntos obtiveram 13 presenças entre os 10 melhores jogadores do mundo nos prémios FIFA enquanto Modric e Kroos obtiveram apenas 5!

      Um argumento que tem muita importância neste tipo de comparações é o rendimento dos jogadores em Campeonatos do Mundo.

         Desde 2007 Portugal teve 0 jogadores retirando Cristiano Ronaldo nomeados para a lista final do prémio da FIFA.

Se olharmos para a história nenhuma equipa foi campeã do Mundo com apenas um jogador num espaço de 15 anos nomeado para ser o melhor do mundo. O Prémio FIFA não existia antes de 1991. Desde 1958 apenas a Argentina em 1978 teve menos de 2 jogadores nomeados para o melhor onze de sempre da France Football, mas Mário Kempes nessa época era indubitavelmente um dos melhores jogadores do mundo.


 

Total

Jogador + nomeado

Retirando jogador mais nomeado

Espanha

33

9

24

Alemanha

23

5

18

França

15

4

11

Inglaterra

13

4

9

Holanda

11

3

8

Itália

10

5

5

Brasil

13

8

5

Argentina

20

15

5

Costa do Marfim

8

5

3

Bélgica

6

3

3

Uruguai

6

4

2

Colômbia

3

2

1

Portugal

15

15

0


        Podemos alargar a lista e ver as nomeações por país desde 2007 para os melhores jogadores a actuar em clubes europeus para a votação do onze do ano da UEFA (dados até 2020). Foram nomeados em cada ano entre 40 e 60 jogadores.

 

Total

Jogador + nomeado

Sem jogador + nomeado

Espanha

100

12

88

Alemanha

63

8

55

França

51

6

45

Inglaterra

42

4

38

Holanda

39

5

34

Itália

36

6

30

Brasil

51

6

45

Argentina

48

14

34

Costa do Marfim

10

5

5

Bélgica

26

6

20

Uruguai

22

5

17

Colômbia

8

4

4

Portugal

36

14

22

Croácia

12

6

6


            Podemos analisar a qualidade dos companheiros de ataque, podemos analisar os médios e avançados de cada país retirando o avançado mais nomeado (dados até 2020)

 

Médios

Sem Avançado + nomeado

Total

Espanha

29

14

43

Alemanha

17

8

25

França

12

17

29

Inglaterra

10

6

16

Holanda

6

10

16

Itália

8

6

14

Brasil

8

6

14

Argentina

5

21

26

Costa do Marfim

5

1

6

Bélgica

6

4

10

Uruguai

0

7

7

Colômbia

0

3

3

Portugal

3

4

7

Croácia

9

0

9


Das 22 nomeações de Portugal 15 são de guarda-redes ou defesas. Em 14 anos Portugal teve apenas 7 nomeações de médios e avançados para ser considerados entre os melhores 40-60 jogadores do mundo.

Espanha, Alemanha, França tiveram mais do tripo. Inglaterra, Holanda, Itália e Brasil o dobro ou mais do dobro. A ARGENTINA DE LIONEL MESSI TÊM QUASE 4 VEZES MAIS NOMEAÇÕES! Bélgica e Croácia ainda conseguem ter mais nomeações que Portugal. Uruguai tem a mesmas.   

         Portanto pedir a Cristiano Ronaldo para ganhar um Mundial por Portugal para se poder comparar com os maiores nomes da história do futebol é completamente desproporcional. E por estes números factualmente se prova que a frase proferida antes do Euro2004 “Portugal têm dos melhores jogadores do mundo” é apenas história. Portugal em relação aos outros países candidatos a serem campeões do mundo tem muito menos nomeações nos prémios FIFA e UEFA.