sábado, 20 de novembro de 2021

Hóquei em Patins: Um desporto de qualidade de século XXI ainda como marca dos anos 80


       A falta de intensidade e de entrega ao jogo na vitória Espanha por 3-1 frente à França, que apurou as duas seleções para a final do europeu colou a nu todos os problemas actuais do hóquei em patins.

         Os portugueses estão desiludidos pela falta de fair-play de ambos os intervenientes e dizem que isto não contribui para o crescimento do hóquei.

         Mas como sempre, nos últimos tempos, várias são as vozes críticas pela forma como a modalidade é gerida, mas escassas ou quase nulas são as soluções de mudança que façam evoluir a modalidade.

         O primeiro grande erro passa por assumir um modelo competitivo de todos contra todos, com 6 equipas, sem meias-finais e em que as 2 piores seleções do ranking europeu não se defrontem na última jornada. Fazer sorteio puro e não em função dos resultados anteriores é um erro primário que potencializa que a meritocracia desportiva possa não ser efectivada. Um Portugal-Espanha e França-Itália na última jornada diminuiria quase de certeza este tipo de situações insólitas. Mas tudo se resolveria se a mesma competição tivesse meias-finais e tivesse começado um dia antes.

         Neste caso concreto é fácil perceber onde esteve o erro. Na aceitação dum modelo competitivo completamente ultrapassado, inexistente em qualquer desporto colectivo no século XX. Mas o mais grave é que os intervenientes não têm consciência disso.

         Tal como outras mudanças estratégicas ainda não foram efectivadas para catapultar a modalidade para outro nível:

   - Maior autonomia do hóquei em patins dentro das federações nacionais e internacionais de patinagem para se poder potencializar

       - Ausência de protocolos internacionais em que dirigentes e treinadores credenciados possam desenvolver a modalidade em países que não a praticam ou que o fazem de um modo completamente amador

      - Jogos internacionais de topo em que as marcas do campo coincidem com outras modalidades, o que prejudica a transmissão televisiva

      - Manutenção da cor da bola preta que dificulta a visualização

      - Design de publicidade e pavilhões quase iguais aos anos 80

       - Preços muito caros no equipamento

   - Guerras entre clubes e federação europeia que impedem que os melhores clubes participem na Liga dos Campeões

O hóquei em patins é um desporto que envolve muito menos dinheiro que os principais desportos olímpicos colectivos. O Barcelona o ano passado não chegou aos 4 milhões de orçamento na modalidade. Portanto mesmo nestas condições, sem grande valor de prémios monetários foi possível França e Espanha quebrarem a intensidade do jogo para se apurarem as duas para a final.

Quer obrigar os outros a ter ética e respeito é uma realidade dos anos 80 que jamais pode ser válida na terceira década do século XXI.

O desporto mundial cresceu e regulamentou-se, estabeleceu critérios objectivos para impedir que estas situações ocorram.

O hóquei em patins terá de fazer o mesmo caminho. Pois se nem estes princípios básicos conseguir albergar e continuar a pensar apenas na boa vontade continuará estagnado como um valor de marca de anos 80 quando caminhamos para o meio do século XXI.


 

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