A falta de intensidade e
de entrega ao jogo na vitória Espanha por 3-1 frente à França, que apurou as
duas seleções para a final do europeu colou a nu todos os problemas actuais do
hóquei em patins.
Os portugueses estão desiludidos pela falta de fair-play de
ambos os intervenientes e dizem que isto não contribui para o crescimento do
hóquei.
Mas como sempre, nos últimos tempos, várias são as vozes
críticas pela forma como a modalidade é gerida, mas escassas ou quase nulas são
as soluções de mudança que façam evoluir a modalidade.
O primeiro grande erro passa por assumir um modelo
competitivo de todos contra todos, com 6 equipas, sem meias-finais e em que as
2 piores seleções do ranking europeu não se defrontem na última jornada. Fazer
sorteio puro e não em função dos resultados anteriores é um erro primário que
potencializa que a meritocracia desportiva possa não ser efectivada. Um
Portugal-Espanha e França-Itália na última jornada diminuiria quase de certeza
este tipo de situações insólitas. Mas tudo se resolveria se a mesma competição
tivesse meias-finais e tivesse começado um dia antes.
Neste caso concreto é fácil perceber onde esteve o erro. Na
aceitação dum modelo competitivo completamente ultrapassado, inexistente em
qualquer desporto colectivo no século XX. Mas o mais grave é que os
intervenientes não têm consciência disso.
Tal como outras mudanças estratégicas ainda não foram
efectivadas para catapultar a modalidade para outro nível:
- Maior autonomia do hóquei em patins
dentro das federações nacionais e internacionais de patinagem para se poder
potencializar
- Ausência de protocolos internacionais
em que dirigentes e treinadores credenciados possam desenvolver a modalidade em
países que não a praticam ou que o fazem de um modo completamente amador
- Jogos internacionais de topo em que as
marcas do campo coincidem com outras modalidades, o que prejudica a transmissão
televisiva
- Manutenção da cor da bola preta que
dificulta a visualização
-
Design de publicidade e pavilhões quase iguais aos anos 80
- Preços muito caros no equipamento
- Guerras entre clubes e federação europeia que impedem que os melhores clubes participem na Liga dos Campeões
O hóquei em patins é um desporto que
envolve muito menos dinheiro que os principais desportos olímpicos colectivos.
O Barcelona o ano passado não chegou aos 4 milhões de orçamento na modalidade.
Portanto mesmo nestas condições, sem grande valor de prémios monetários foi
possível França e Espanha quebrarem a intensidade do jogo para se apurarem as
duas para a final.
Quer obrigar os outros a ter ética e
respeito é uma realidade dos anos 80 que jamais pode ser válida na terceira
década do século XXI.
O desporto mundial cresceu e
regulamentou-se, estabeleceu critérios objectivos para impedir que estas
situações ocorram.
O hóquei em patins terá de fazer o mesmo
caminho. Pois se nem estes princípios básicos conseguir albergar e continuar a
pensar apenas na boa vontade continuará estagnado como um valor de marca de
anos 80 quando caminhamos para o meio do século XXI.
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