1ª
Parte- Os números
Com a finalização do último campeonato
do Mundo vários comentadores e figuras históricas do futebol Mundial afirmaram
perentoriamente que Lionel Messi com o título mundial obtido pela Argentina
torna-se o melhor jogador da história do futebol.
Esta conclusão perfeitamente
descontextualizada e desprovida de qualquer razão é apenas mais um momento na
história do futebol que demonstra efectivamente que neste desporto não existem
critérios racionais para fazer comparações.
A aferição do rendimento dos
futebolistas ao longo da história é pessimamente medida pelos seus
protagonistas.
No Basquetebol por exemplo, existem
estatísticas detalhadas sobre o rendimento dos jogadores em cada fase da NBA
que estão à distância de um clique no Google. Fala-se na quantidade de vezes
que um jogador foi eleito MVP do campeonato e da Final em específico.
No Andebol é normal um jogador ser o
melhor do mundo num ano sem vencer qualquer título se o seu rendimento o
justificar, tem-se em conta o rendimento nas fases adiantadas das provas de
clubes e seleções e não apenas o cômputo geral da prova. O que faz por exemplo
que o melhor marcador da história da Liga dos Campeões Kiril Lazarov não seja
sequer equacionado como um dos 10 melhores jogadores de sempre.
Cristiano Ronaldo cresceu para o
futebol a admirar Fábio Paim. Começou a sua carreira sénior por ser um extremo
habilidoso, demasiado colado à linha, sempre à procura de fintas e dribles
estonteantes e a tentar resolver os jogos individualmente. Hoje é o melhor
marcador e rei das assistências da história da Liga dos Campeões, inventou uma
nova posição no futebol, não sendo nem um extremo nem um avançado puro. Para
isso contribuiu naturalmente a extraordinária melhoria do seu jogo aéreo ao
longo dos anos, de remates de pé esquerdo e pé direito e naturalmente a
melhoria significativa do seu posicionamento em todas as zonas dos últimos 25
metros.
Cristiano Ronaldo assumiu que percebeu
que tinha de deixar de ser um jogador obcecado por fintas e dribles para se
tornar mais completo e por isso estabelecer números que se julgavam impossíveis
de alcançar por qualquer jogador.
A diferença de rendimento de Cristiano
Ronaldo perante qualquer outro jogador desde 2007 é absolutamente gritante e
sem alvo de quaisquer comparações.
A Liga dos Campeões desde 2003/2004 têm
um sorteio puro nos quartos-de-final. Por isso a dificuldade de jogar um jogo
nos quartos-de-final pode ser mais do que a própria final, porque estará
dependente do sorteio e não do rendimento das equipas nas fases antecessoras.
Neste contexto, de analisar os melhores jogadores do mundo, importa
fundamentalmente analisar o rendimento destes a partir desta fase da prova. Os
elevados salários que auferem acontecem em larga medida devido à capacidade que
têm para contribuir para a sua equipa obter um grande rendimento nesta fase.
Cristiano Ronaldo ao longo da história
têm 49 jogos a titular e 42 golos nesta fase. Lionel Messi têm 40 jogos a
titular e 20 golos. Portanto o português têm o dobro dos golos e uma média de
0,85 contra 0,5 do jogador argentino. Na mesma fase da prova têm 6 assistências
apenas menos uma que Lionel Messi.
Ao
longo da história Cristiano Ronaldo teve 12! épocas em que marcou mais do que
um golo nesta fase da prova. E por 8! vezes marcou mais que 2 golos. Lionel
Messi teve 6 épocas (metade) que marcou mais que um golo e apenas 4! com mais
do que dois golos.
Desde que Pep Guardiola abandonou o
Barcelona Messi marcou 7 golos a partir desta fase da prova. Cristiano Ronaldo MARCOU
O QUADRÚPLO 28. O plantel do Real Madrid entre 2013-2018 sem Cristiano Ronaldo
foi avaliado pelo site transferencemarket em 3883 milhões de euros, enquanto o
do Barcelona sem Messi foi avaliado em 3627,85. Uma diferença bastante ligeira que
evidentemente não explica este diferencial de números.
Desde 2007 os clubes que Cristiano
Ronaldo jogou pelo mesmo portal sem ele foram avaliados em 8706,7 milhões de
euros enquanto os clubes que Messi jogou sem ele foram avaliados em 9499
milhões de euros.
Xavi e Iniesta juntos obtiveram 13
presenças entre os 10 melhores jogadores do mundo nos prémios FIFA enquanto
Modric e Kroos obtiveram apenas 5!
Um argumento que tem muita importância
neste tipo de comparações é o rendimento dos jogadores em Campeonatos do Mundo.
Desde 2007 Portugal teve 0 jogadores
retirando Cristiano Ronaldo nomeados para a lista final do prémio da FIFA.
Se olharmos para a história nenhuma equipa
foi campeã do Mundo com apenas um jogador num espaço de 15 anos nomeado para
ser o melhor do mundo. O Prémio FIFA não existia antes de 1991. Desde 1958
apenas a Argentina em 1978 teve menos de 2 jogadores nomeados para o melhor
onze de sempre da France Football, mas Mário Kempes nessa época era
indubitavelmente um dos melhores jogadores do mundo.
|
|
Total |
Jogador + nomeado |
Retirando jogador mais nomeado |
|
Espanha |
33 |
9 |
24 |
|
Alemanha |
23 |
5 |
18 |
|
França |
15 |
4 |
11 |
|
Inglaterra |
13 |
4 |
9 |
|
Holanda |
11 |
3 |
8 |
|
Itália |
10 |
5 |
5 |
|
Brasil |
13 |
8 |
5 |
|
Argentina |
20 |
15 |
5 |
|
Costa do Marfim |
8 |
5 |
3 |
|
Bélgica |
6 |
3 |
3 |
|
Uruguai |
6 |
4 |
2 |
|
Colômbia |
3 |
2 |
1 |
|
Portugal |
15 |
15 |
0 |
Podemos alargar a lista e ver as nomeações por país
desde 2007 para os melhores jogadores a actuar em clubes europeus para a
votação do onze do ano da UEFA (dados até 2020). Foram nomeados em cada ano
entre 40 e 60 jogadores.
|
|
Total |
Jogador + nomeado |
Sem jogador + nomeado |
|
Espanha |
100 |
12 |
88 |
|
Alemanha |
63 |
8 |
55 |
|
França |
51 |
6 |
45 |
|
Inglaterra |
42 |
4 |
38 |
|
Holanda |
39 |
5 |
34 |
|
Itália |
36 |
6 |
30 |
|
Brasil |
51 |
6 |
45 |
|
Argentina |
48 |
14 |
34 |
|
Costa do Marfim |
10 |
5 |
5 |
|
Bélgica |
26 |
6 |
20 |
|
Uruguai |
22 |
5 |
17 |
|
Colômbia |
8 |
4 |
4 |
|
Portugal |
36 |
14 |
22 |
|
Croácia |
12 |
6 |
6 |
Podemos analisar a qualidade dos companheiros de
ataque, podemos analisar os médios e avançados de cada país retirando o
avançado mais nomeado (dados até 2020)
|
|
Médios |
Sem Avançado + nomeado |
Total |
|
Espanha |
29 |
14 |
43 |
|
Alemanha |
17 |
8 |
25 |
|
França |
12 |
17 |
29 |
|
Inglaterra |
10 |
6 |
16 |
|
Holanda |
6 |
10 |
16 |
|
Itália |
8 |
6 |
14 |
|
Brasil |
8 |
6 |
14 |
|
Argentina |
5 |
21 |
26 |
|
Costa do Marfim |
5 |
1 |
6 |
|
Bélgica |
6 |
4 |
10 |
|
Uruguai |
0 |
7 |
7 |
|
Colômbia |
0 |
3 |
3 |
|
Portugal |
3 |
4 |
7 |
|
Croácia |
9 |
0 |
9 |
Das 22 nomeações de Portugal 15 são de
guarda-redes ou defesas. Em 14 anos Portugal teve apenas 7 nomeações de médios
e avançados para ser considerados entre os melhores 40-60 jogadores do mundo.
Espanha,
Alemanha, França tiveram mais do tripo. Inglaterra, Holanda, Itália e Brasil o
dobro ou mais do dobro. A ARGENTINA DE LIONEL MESSI TÊM QUASE 4 VEZES MAIS
NOMEAÇÕES! Bélgica e Croácia ainda conseguem ter mais nomeações que Portugal.
Uruguai tem a mesmas.
Portanto pedir a Cristiano Ronaldo para
ganhar um Mundial por Portugal para se poder comparar com os maiores nomes da
história do futebol é completamente desproporcional. E por estes números
factualmente se prova que a frase proferida antes do Euro2004 “Portugal têm dos
melhores jogadores do mundo” é apenas história. Portugal em relação aos outros
países candidatos a serem campeões do mundo tem muito menos nomeações nos
prémios FIFA e UEFA.

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