3- Comparação com Falcão
O
Desporto Total não pretende apresentar as virtudes de um e de outro e eleger
afinal quem é melhor. Mas sim contextualizar a comparação dos dois maior
diamantes lapidados da história da modalidade.
A
comparação entre Falcão e Ricardinho deve servir essencialmente para o futsal
entender, mais uma vez, o enorme potencial de marca que não aproveitou.
Estes
dois ilusionistas em toda a carreira em competições oficiais apenas
participaram simultaneamente nos Mundiais de 2004,2008,2012 e 2016.
Portanto
apenas de 4 em 4 anos tivemos estes dois jogadores a jogar a mesma competição.
Será que se imagina Lionel Messi a jogar a Liga dos Libertadores e termos de
esperar 4 anos para num Mundial, disputar a mesma competição que Cristiano
Ronaldo.
Neste
contexto é muito difícil comparar em anos sem mundial jogadores que jogam
competições totalmente diferentes em continentes diferentes perante
equipas/países totalmente diferentes e quase toda a totalidade de jogadores
colegas e adversários totalmente diferentes.
Se
Ricardinho jogasse na Europa de 2010 a 2013 poderia ter 8 Bolas de Ouro e
Falcao apenas 2.
Mas os brasileiros podem sempre afirmar
que se Falcao jogasse na Europa outro galo cantaria e ele próprio podia ter
sido o melhor do mundo em 2005, 2007,2008 e 2009, anos em que venceu a
Libertadores.
Portanto seria bom que tal como a generalidade dos desportos olímpicos colectivos, o futsal encontra-se de forma sistemática competições de clubes e seleções onde os melhores jogadores possam estar simultaneamente a competir algo fundamental para o crescimento da modalidade.
4-Síntese da carreira: virtuosismo, visão de jogo e capacidade defensiva
Quando Ricardinho se estreou na seleção o
futsal era jogado de uma forma mais lenta. Vários jogadores faziam 35 minutos
de jogo. O menor ritmo de jogo e pressão sobre o portador da bola permitiu com
que o seu virtuosismo saltasse mais facilmente à vista.
Com o passar dos anos, aprimorando a
técnica fruto de um trabalho individual incansável: os cabritos, golos utópicos
e dribles desconcertantes foram cada vez mais fazendo as delícias dos amantes
da modalidade.
Em 2007 na Meia-Final do Europeu
Ricardinho marca um golo de bicicleta a Luís Amado, considerado por muitos
analistas, o melhor guarda-redes de sempre da modalidade.
Desde 2010 o futsal tornou-se cada vez
mais um jogo colectivo e dinâmico com maior troca de bola entre jogadores e
menor progressão individual com a bola. Mas Ricardinho não piorou o seu nível,
bem pelo contrário. Continuou a decidir bem e muito rápido vencendo num
contexto que lhe poderia ser menos favorável 5 vezes o título de melhor jogador
do mundo.
Em recente conversa no Canal 11, a sua primeira treinadora Carolina Silva, disse que a primeira coisa que lhe saltou à vista foi a sua visão de jogo.
Neste Mundial, Ricardinho foi o jogador com mais assistências, que mais jogadas de perigo criou, mesmo depois do calvário da lesão que o poderia ter hipotecado de participar nesta fase final.
Porque mais importante que fazer bem é
sempre decidir bem e Ricardinho sempre teve consciência das suas capacidades
utilizando-as em prol do colectivo. Ao longo da sua carreira é muito esporádico
vê-lo tentar o drible em situações que colocassem a equipa em perigo ou optar
pela jogada individual prejudicando o colectivo.
A intensificação do 5x4 juntando ao
elevado ritmo do jogo fez com que cada vez mais os jogadores mais criativos de
futsal tivessem que ser muito criativos. Ricardinho tornou-se uma pedra
essencial na manobra defensiva da seleção nacional, nunca sendo retirado de
campo em função da equipa passar a defender mais, mas sim pelo desgaste físico
ou opção estratégica global.
Ricardinho soube ao longo da carreira
dar às suas equipas aquilo que elas mais necessitavam, adaptando-se às mudanças
das tendências do jogo e da sua condição física mas nunca deixando de estar no
topo de todas as competições internacionais que disputou.
Uma regularidade quase ímpar no
desporto mundial, só ao alcance de um predestinado incansável pelo trabalho e
em aprender com todos os intervenientes directos (colegas e outras pessoas do
futsal) e indirectos (vendo outros desportos e aprendendo com jogadores de
Freestyle) para que com os pequenos detalhes fazer as grandes diferenças.
Mais do que a qualidade patenteada em
campo fica a atitude de um homem sempre em busca de reinventar soluções engradecendo
a sua modalidade.
Seria portanto justo que o futsal
entendesse o legado do seu maior embaixador de sempre e de uma vez por todas
fizesse as alterações necessárias para se tornar um desporto mediático
universal e uma marca reconhecida nos 4 cantos do mundo. Este seria sem sombra
de dúvidas a melhor prenda que Ricardinho poderia ter.
2-