segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Carlos Lopes e Fernando Pimenta: As semelhanças dos campeões (Parte IV)

 


Mentalidade

         Carlos Lopes frisou que os Jogos Olímpicos de Munique1972 foram fundamentais para a sua carreira. Nestes Jogos Olímpicos não alcançou finais mas segundo o próprio, poder ter observado o comportamento dos atletas de topo nas mais variadas disciplinas do atletismo, fê-lo entender o que precisava para chegar lá. Começou a construir uma ambição sem precedentes no desporto português. Em 1976 tornou-se o primeiro português campeão do mundo de uma modalidade olímpica. Não se revia na mentalidade de “ir apenas para participar”, porque o seu único objectivo “era ganhar”.

         Por isso em 1983 a Maratona começou a fazer parte do seu calendário de provas, porque sabia que era nesta disciplina que tinha mais possibilidades de ser campeão olímpico, por mais que preferisse correr os 10 mil metros.

      Em Los Angeles 1984 abdicou de estar na Aldeia Olímpica em prol da sua preparação ser a melhor possível. Mesmo após a glória olímpica não quis terminar a carreira. Queria mais porque achava que podia mais. Em 1985 bate o recorde mundial da Maratona e sagra-se no Jamor, tricampeão mundial de corta-mato, sendo o último europeu nascido na europa a fazê-lo.

         Carlos Lopes simultaneamente teve a humildade de quer aprender e escutar adversários estrangeiros, colegas de treino, treinador ao mesmo tempo que desenvolveu um espírito de ambição totalmente pioneiro na história do desporto olímpico português. Uma garra, resiliência e sacríficos ímpares que criaram um legado que hoje beneficiamos.

         Apesar de a partir dos 30 anos praticamente nenhum atleta tenha criado resultados de relevo, Carlos Lopes não quis sabes das tendências. Foi contra a história do atletismo e do desporto nacional e realizou feitos notáveis em todas as perspectivas imagináveis.

         Quem vê as cerimónias de pódio na Canoagem vê Fernando Pimenta com o mesmo espírito a fazer a selfie, seja em 2013 em que não era normal ganhar ou em 2021 em que já é um histórico da canoagem mundial. Sempre respeitou os adversários e manteve a mesma postura independente do estatuto que tinha.

         Diz que Balint Kopasz é o melhor competidor possível, um grande amigo fora de água, e que o faz evoluir.

         Fernando Pimenta ganhou uma medalha de bronze na Canoagem inédita num evento individual olímpico para Portugal. Mas isso não o fez perder o foco. Regressou o mais cedo possível a Portugal para poder estar com a família e ter um merecido curto descanso. Porque ainda haveria algo mais para ganhar. Aceitou prolongar a época por mais um mês e fez história na Dinamarca sagrando-se o primeiro bicampeão mundial de K1 1000 metros desde 2010.

         Em Tóquio2020 falou que não descarta participar em Brisbane2032, aos 43 anos. Apesar de todo o sucesso, quer tal como Carlos Lopes fazer mais e melhor, escutando os outros e tendo uma sede de vitórias como se ainda não tivesse alcançando o primeiro grande título.

Conclusão

         A história destas grandes figuras do desporto português como verificamos é muito similar em todas as vertentes. Pela lógica poderíamos dizer que Fernando Pimenta vai ser campeão olímpico. Futurologia é algo que ninguém pode fazer com um grau absoluto de certeza.

         Carlos Lopes não venceu nenhum europeu, mundial ou Jogos Olímpicos nos 10000 metros e não deixou de ser capa do L’Equipe de aparecer nos Simpons e de ainda ser um dos maiores fundistas da história apesar de no espaço mediático outros nomes injustamente estarem à sua frente.

         Independentemente do desfecho olímpico da carreira de Fernando Pimenta, têm já o seu nome consagrado na história da Canoagem, a Federação Internacional já o apelida de “lenda”.

         Infelizmente pelo facto da canoagem de velocidade estar completamente fora do espaço olímpico mediático é quase impossível ter um reconhecimento olímpico internacional condicente com o seu valor, mas isso em nada abala tudo o que nos deu e dará.

         Carlos Lopes e Fernando Pimenta, dois grandes atletas, que pelo seu percurso, maneira de estar, capacidade pioneira, ambição contra todas as tendências históricas deixam um marco e um legado indubitável no desporto português. Que aprendamos com eles para que o nosso desporto e sociedade seja cada vez melhor.

         Obrigado!

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

Carlos Lopes e Fernando Pimenta: As semelhanças dos campeões (Parte III)



Críticas internas

         Após ganhar a medalha de prata em Montreal em 1976 e de ser vice-campeão mundial de corta-mato em 1977 Carlos Lopes viveu um período de quebra.

         As sucessivas lesões fizeram com que desde 1978 a 1981 não tenha conseguido nunca figurar no top10 das listas anuais, participar nos Jogos Olímpicos de Moscovo em 1980 ou sequer fazer um top10 nos Mundiais de Corta-mato. Várias foram as vozes internas que sentenciaram a sua carreira.

         Imune às opiniões dos outros o fundista nacional foi campeão olímpico na Maratona em 1984, bateu o recorde do mundo e foi líder anual em 1985, fez a terceira melhor marca do ano em 1983. Nos 10000 metros fez a 2ª melhor marca do ano em 1982, a melhor em 1983 e a 2ª em 1984. Foi ainda a tempo de ser campeão do mundo de corta-mato por duas vezes e de conquistar mais uma medalha de prata.

         Após ganhar a medalha de prata em Londres2012 no K2 1000 metros em conjunto com Emanuel Silva, Fernando Pimenta viveu um período de problemas internos com a federação portuguesa de canoagem. Queria participar no K1 1000 metros no Mundial de 2013 e foi recusado e posteriormente suspenso de participar no Mundial. Em 2014 não conseguiu o apuramento para a final no K1 1000 metros. Em 2015 conquistou o bronze mas as condições completamente atípicas da final do Rio em 2016, com a influência das algas atiraram-no para fora do pódio juntamente com os outros favoritos René Poulsen e Max Hoff.

         Viveu tempos difíceis após esse 5º lugar. Choveram críticas infundadas, segundo o próprio, alguns até achavam que não era digno de representar Portugal.

     Fernando Pimenta respondeu sagrando-se o primeiro bicampeão mundial e tricampeão europeu (2ª melhor sequência da história) de K1 1000 metros desde 2010. No actual momento leva 5 medalhas consecutivas em K1 1000 metros em mundiais melhor só Helm com 7 em 1983 e Holmant em 1999.

Oposição Nacional

         Carlos Lopes perdeu várias vezes para o seu colega do Sporting Fernando Mamede ao longo da carreira. António Leitão, bronze nos 5000 nos JO1984 fez também parte da seleção nacional ao longo do percurso de Carlos Lopes. Entre muitos outros o corredor nacional teve colegas que o ajudaram na preparação.

Em 1984 na épica disputa pelo recorde mundial nos 10000 metros com Fernando Mamede foi peça fundamental pelo apoio psicológico e táctico ao alentejano. Em 1985 por exemplo perdeu o título nacional de corta-mato para Fernando Mamede. Não era possível vencer sempre. Apesar da rivalidade desportiva, Carlos Lopes sempre foi exemplar com os colegas, recebendo e retribuindo o respeito e apoio. E todo esse clima positivo foi fundamental para as suas conquistas.

         Fernando Pimenta este ano ficou em 2º lugar no K1 500 metros no campeonato nacional, perdendo para o seu colega do Benfica João Ribeiro, actual vice-campeão mundial na distância. No início da carreira a maior experiência de Emanuel Silva foi importante no crescimento de Fernando Pimenta. Hoje, frequentemente João Ribeiro e Fernando Pimenta apoiam-se com elogios públicos mútuos. O espírito de camaradagem dos vice-campeões mundiais de K2 500 metros têm sido um pêndulo importante na evolução da carreira de ambos.

Regularidade apesar de começo tardio

Contabilizando 10000 metros, maratona e corta-mato Carlos Lopes conseguiu estar durante 6 anos pelo menos numa destas vertentes no top4 Mundial. Ninguém conseguiu mais até 1999. Na contagem do melhor resultado em cada época na pista e na maratona em campeonatos mundiais/jogos olímpicos, circuito mundial (anos sem mundiais e Jogos Olímpicos), listas mundiais do ano (anos sem mundiais e Jogos Olímpicos), mundiais de corta-mato; Carlos Lopes totalizou 5 vitórias e 4 segundos lugares. O mesmo que Paul Tergat. É sempre discutível decidir quem é o melhor, ainda para mais em épocas distintas, mas é indubitável que o melhor fundista do século XX a partir de 1960 (em que começam a existir dados oficias de listas anuais) juntando todas as vertentes só poderá estar entre Carlos Lopes, Paul Tergat e Haile Gebresselaisse.

Carlos Lopes conseguiu chegar a este estatuto apesar dos seus primeiros grandes resultados no corta-mato, 10000 metros e maratona terem aparecido numa idade avançada sem precedentes na história do atletismo no século XX. Alcançou 5 medalhas nos Mundiais de Corta-Mato depois dos 29 anos, Mariano Haro e Paul Tergat os únicos por três vezes em toda a história e Mohammed Mourhit o único por duas. Conseguiu por sete vezes estar no top8 nas listas mundiais do ano de 5000,1000 e Maratona no século XX desde os 33 anos. Por mais que uma vez apenas apenas Yifter o fez por 4 vezes e Hammou Boutayeb por duas. Se falarmos no top3 conseguiu 6 vezes e Yifter o único por 2 vezes.

Apesar de na Canoagem ser mais normal que os resultados apareçam numa idade mais avançada porque mover-se em meio fluido necessita de muita sensibilidade, e tempo para a ganhar, como já descrito anteriormente Fernando Pimenta comparativamente com os seus rivais históricos apresentou resultados de relevo numa idade mais avançada.

Isso não o impediu de alcançar todos os registos de completude como frisamos anteriormente. Se mantiver os resultados deste ciclo olímpico após Paris 2024 será o terceiro canoísta com melhor palmarés em K1 1000 metros em Mundiais e Jogos Olímpicos desde 1960.

Actualmente é o segundo melhor de sempre em Europeus e mantendo os resultados em 2024 alcançará o primeiro lugar.


(Parte IV em breve)

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Futsal: A evolução lusitana nos últimos 20 anos que permitiu alcançar o céu (2ª Parte)


  Futsal português entre 2013 e 2016

 

Durante este período, tanto em clubes como em seleções, o futsal português teve dificuldade para apresentar a mesma qualidade de jogo. Muitos dos principais jogadores da melhor geração de ouro estavam a terminar a carreira internacional como Pedro Costa, Arnaldo e Joel Queirós. Por outro lado Pany Varela, Fábio Cecílio, Tiago Brito estavam a dar os primeiros passos na senda internacional.

Nenhum clube português consegue chegar a nenhuma final da UEFA Futsal Cup e a seleção alcança o 4º lugar do Euro 2014 e Mundial 2016

 

Desde 2017- Os efeitos práticos da ascensão do futsal nacional

 

Desde 2017 que o fustal português se assumiu como a maior potência mundial.

O Sporting começou a investir em estrangeiros de enorme qualidade para tentar sagrar-se campeão europeu.

Em 2016/2017 perde 7-0 na final com o Intervíu. Alex Merlim, Dieguinho e Cavinato nunca tinham jogado a UEFA Futsal Cup com a camisola dos leões.

O conjunto de Nuno Dias foi consolidando a sua ideia de jogo. Em 2017/2018 volta a perder mas por 5-2 mas em 2018/2019 sagra-se pela primeira vez na história campeão europeu.

A seleção nacional pode beneficiar da maior maturação dos seus jovens e da explosão internacional de André Coelho e Bruno Coelho para vencer a Espanha por 3-2 após prolongamento numa demonstração inequívoca da equipa mais organizada da Europa.

 

 A evolução fora da quadra

 

                A criação da Cidade do futebol por parte da FPF proporcionou à seleção de futsal condições de profissionalismo ímpares a nível internacional.

         Um dos grandes segredos foi que o futsal nacional bebeu da experiência organizacional da FPF ao mesmo tempo que fez aumentar a sua influência directiva.

         Integrando-se cada vez mais na estrutura da FPF ao mesmo tempo que pela primeira vez na história tinha um director específico para o fustal.

         Os atletas, treinadores, dirigentes e todos os demais profissionais cada vez mais estavam integrados com o futebol ao mesmo tempo que o futsal desenvolvia um plano estrutural com autonomia.

         A Liga Nacional foi crescendo de importância e aumentando drasticamente o seu valor de marca e condições de profissionalização.

         Um plano estratégico para a formação que permitiu aumentar o número de praticantes, maior diálogo entre treinadores, sentimento comum de que todos são importante para a mudança, de que ninguém é deixado para trás e quando se ganha os primeiros nomes que se frisam são os que não estão cá e contribuíram antes para que o hoje fosse possível.

         O futsal português a todos os níveis começou a criar uma união ímpar a nível internacional.

         As condições de estágio e de estada em fases finais foram as melhores possíveis, as residenciais do início do milénio substituídos por hotéis de 4 e 5 estrelas.

         A Federação fez de tudo para que famílias e adeptos pudessem nas fases finais dar um apoio aos jogadores que mais nenhuma seleção teve, à excepção da anfitriã.

         O foco e a disciplina de regras das concentrações intersectavam-se com um elevado grau de autonomia e responsabilização de todos os intervenientes.

         A tudo isto junta-se a crença lúcida de que SOMOS EFECTIVAMENTE OS MELHORES, acreditando que cumprindo o nosso processo dependemos só de nós mesmos e de que os outros têm de ficar à espera de um nosso dia menos bom para nos ganhar e não o contrário.

4-    

A evolução dentro da quadra

 

O futsal em 2021 é bem diferente de 2004. O ritmo de jogo e a mobilidade dos jogadores aumentou drasticamente. A tecnologia proporcionou que cada vez mais fosse possível estudar pormenorizadamente todos os adversários. O 5x4 modernizou-se, os guarda-redes começaram a jogar mais com os pés, as progressões individuais com a bola foram diminuindo porque cada vez havia menos espaço.

As situações de bola parada foram ganhando cada vez maior importância.

Face a toda esta crescente intensidade tornou-se primordial ter 10/12 jogadores de campo aptos para jogar os principais jogos e tornou-se impossível que um jogador jogasse a maior parte do tempo como por exemplo Iván em 2004.

Tendo no momento presente a melhor escola de treinadores do mundo é fácil perceber como estas premissas encaixaram na evolução nacional.

A intensidade e panóplia de variação de ações colectivas fizeram do Sporting (2017-2021) a equipa com mais sucesso na história da modalidade num período de 5 anos.

O facto de todos os novos jogadores da seleção terem começado no futsal e não no futebol como antes acontecia, fez com que as promessas nacionais adquirissem esses princípios técnicos e tácticos em tenra idade. Se juntarmos o nível da exigência lançado às seleções jovens (que dantes nem existiam) entendemos que Erick Mendonça, Tomás Paço, Zicky Té e Afonso Jesus chegaram à seleção nacional como uma ampla maturidade que antes era impensável em qualquer estreante.

Portanto, sendo Portugal o país que melhor se prepara no mundo dentro e fora da quadra é fácil entender como num contexto de maior intensidade, exigência e profissionalismo temos melhores condições para vencer.

Brasil e Rússia, por exemplo, ainda estão a viver da progressão individual exaustiva dos seus jogadores, do arrefecimento do ritmo de jogo para uma súbita mudança de velocidade, pararam no tempo, porque este já não é o modo para vencer no futsal actual.

Futsal uma modalidade com 30 milhões de praticantes, jogada de forma regular em 150 países, com staffs de mais de 20 elementos, intensidade e tomada de decisão rápida ímpar em comparação com qualquer desporto de pavilhão.

Já não basta ter talento individual e arrefecer e controlar o jogo para se ganhar.

Ganhará quem mais se adapta. E é por isso também que Ricardinho é o melhor jogador da história. Porque quando a táctica actual e as lesões (jogou o Mundial com menos um tendão) atiraram as suas fintas,cabritos e golos em fases decisivas para as recordações históricas ele apareceu com 7 assistências fabulosas (melhor do mundial neste capítulo) alicerçadas numa visão de jogo ímpar na história da modalidade.

Ricardinho a personificação do futsal da actualidade. O talento individual sempre, mas mesmo sempre ao serviço do colectivo dentro e fora da quadra.

Não ganharemos sempre, às vezes a bola irá ao poste e a do adversário para dentro, mas a longo prazo ganha quem é mais competente no processo.

Por isso, acredito que em 2041, poderemos recordar as palavras de Jorge Braz e efectivamente em títulos “sermos melhor que eles”.

 

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Futsal: A evolução lusitana nos últimos 20 anos que permitiu alcançar o céu (1ª Parte)






“Ando a dizer há 20 anos que somos melhor que eles”

         Foi com estas palavras que Jorge Braz espicaçou os seus jogadores frente à Espanha, o início da reviravolta que permitiu Portugal chegar ao olimpo do futsal mundial.

         Neste artigo o Desporto Total explica o contexto da afirmação do treinador nacional e as razões para só agora termos atingindo a glória eterna mundial.


        1- Futsal Português de 2000 a 2007

Sendo rigoroso evidentemente que Portugal em nenhum parâmetro é melhor que a Espanha há 20 anos.

No Mundial da Guatemala em 2000 o conjunto português ficou em 3º lugar no Mundial, mas perdeu com o Brasil por 4-0 e 8-0 (na Meia-Final) e 3-1 frente à Espanha.

Em 2002 o Sporting foi goleado por 4-0 frente ao Playas Castellón nas meias-finais da 1ª competição oficial de clubes de futsal.

A partir de 2003 a história muda.

Portugal empata 3-3 com a Espanha no europeu, num jogo em que a falta de experiência lusitana foi preponderante para não alcançar a vitória que permitiria chegar às meias-finais.

Em 2004 na final da UEFA Futsal Cup o Benfica perdeu por 4-1 na 1ª mão frente ao Intervíu. Aos 4 minutos já estava a perder por 3-0. As águias entraram completamente atormentadas em campo, com medo de errar e com um nervosismo gritante que a experiência e frieza espanhola aproveitou para cavar um fosso irrecuperável na eliminatória.

Na 2ª mão os 2 golos de André Lima num minuto fizeram levantar o pavilhão quando o Benfica ganhava por 4-2, mas o pragmatismo madrileno fechou a porta a novas surpresas, marcaram um golo estabelecendo o 4-3 final.

O futsal em 2004 era muito diferente do actual. Era normal existir um fixo que jogasse mais de 30 minutos do jogo, as combinações atacantes eram mais lentas, a pressão sobre o portador da bola era menor, existia mais espaço para a qualidade individual fazer a diferença, um menor aproveitamento das bolas paradas, do 5x4 ofensivo, de guarda-redes a jogar com os pés.

No fundo um jogo mais lento e menos colectivo ofensivamente que o actual permitia que os espanhóis tanto em clubes como em seleções, soubessem melhor pautar os ritmos de jogo, gerir a transição defensiva e ter a frieza necessária para vencer.

Em 2007 Portugal está a vencer por 2-0 a Espanha nas meias-finais do europeu mas não teve o discernimento necessário para saber defender o 5x4, dando muito espaço no 2º poste aproveitado para que eles levassem o jogo para os penaltys e nos impedissem de jogar a final do europeu na nossa própria casa.

Do ponto de vista técnico a seleção lusitana em nada ficava a dever à Espanha. Pedro Costa, Arnaldo, Gonçalo Alves, Ricardinho, Joel Queirós, Israel, Ivan entre outros, eram craques que encantava ver jogar.


2- Futsal Português entre 2010 e 2012


Em 2010 Portugal perde a final do europeu contra a Espanha, num jogo em que mais uma vez os espanhóis não tiveram mais volume, intensidade ou criatividade de jogadas. O pragmatismo foi a característica essencial para o sucesso.

Com o pavilhão atlântico com 9400 adeptos o Benfica venceu o Intervíu na final da UEFA Futsal Cup por 3-2 após prolongamento.

O fogo lusitano poderia pela primeira vez vencer o gelo espanhol.

No final André Lima, treinador das águias, disse “ Mais do que vencer para mim o mais importante é ver pela primeira vez o Intervíu lá em baixo”

Por estas palavras assume-se que na época os adversários espanhóis eram um tremendo estigma nos portugueses.

Em 2011 o Sporting vai à final da UEFA Futsal Cup e apresentou o melhor colectivo da prova. Depois de ter eliminado o El Pozo Múrcia na ronda de elite numa demonstração colectiva fantástica eliminou o Kairat Almaty na sua própria casa.

Na final o Montesilvano, tal como na meia-final com o Benfica montou a maior teia defensiva da história do futsal de clubes, liderados por um fantástico Mammarella na baliza venceram por 5-2 mas ficou a ideia de que o Sporting tinha todas as condições para vencer a prova.

No Mundial de 2012, qual fotocópia, Mammarella numa exibição épica é peça preponderante para a reviravolta da Itália perante Portugal. O hat-trick de Ricardinho permitiu a Portugal estar a vencer por 3-0 mas no final do prolongamento o conjunto transalpino sorriu com os 4-3 finais. 


(Parte II em breve)