segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Futsal: A evolução lusitana nos últimos 20 anos que permitiu alcançar o céu (2ª Parte)


  Futsal português entre 2013 e 2016

 

Durante este período, tanto em clubes como em seleções, o futsal português teve dificuldade para apresentar a mesma qualidade de jogo. Muitos dos principais jogadores da melhor geração de ouro estavam a terminar a carreira internacional como Pedro Costa, Arnaldo e Joel Queirós. Por outro lado Pany Varela, Fábio Cecílio, Tiago Brito estavam a dar os primeiros passos na senda internacional.

Nenhum clube português consegue chegar a nenhuma final da UEFA Futsal Cup e a seleção alcança o 4º lugar do Euro 2014 e Mundial 2016

 

Desde 2017- Os efeitos práticos da ascensão do futsal nacional

 

Desde 2017 que o fustal português se assumiu como a maior potência mundial.

O Sporting começou a investir em estrangeiros de enorme qualidade para tentar sagrar-se campeão europeu.

Em 2016/2017 perde 7-0 na final com o Intervíu. Alex Merlim, Dieguinho e Cavinato nunca tinham jogado a UEFA Futsal Cup com a camisola dos leões.

O conjunto de Nuno Dias foi consolidando a sua ideia de jogo. Em 2017/2018 volta a perder mas por 5-2 mas em 2018/2019 sagra-se pela primeira vez na história campeão europeu.

A seleção nacional pode beneficiar da maior maturação dos seus jovens e da explosão internacional de André Coelho e Bruno Coelho para vencer a Espanha por 3-2 após prolongamento numa demonstração inequívoca da equipa mais organizada da Europa.

 

 A evolução fora da quadra

 

                A criação da Cidade do futebol por parte da FPF proporcionou à seleção de futsal condições de profissionalismo ímpares a nível internacional.

         Um dos grandes segredos foi que o futsal nacional bebeu da experiência organizacional da FPF ao mesmo tempo que fez aumentar a sua influência directiva.

         Integrando-se cada vez mais na estrutura da FPF ao mesmo tempo que pela primeira vez na história tinha um director específico para o fustal.

         Os atletas, treinadores, dirigentes e todos os demais profissionais cada vez mais estavam integrados com o futebol ao mesmo tempo que o futsal desenvolvia um plano estrutural com autonomia.

         A Liga Nacional foi crescendo de importância e aumentando drasticamente o seu valor de marca e condições de profissionalização.

         Um plano estratégico para a formação que permitiu aumentar o número de praticantes, maior diálogo entre treinadores, sentimento comum de que todos são importante para a mudança, de que ninguém é deixado para trás e quando se ganha os primeiros nomes que se frisam são os que não estão cá e contribuíram antes para que o hoje fosse possível.

         O futsal português a todos os níveis começou a criar uma união ímpar a nível internacional.

         As condições de estágio e de estada em fases finais foram as melhores possíveis, as residenciais do início do milénio substituídos por hotéis de 4 e 5 estrelas.

         A Federação fez de tudo para que famílias e adeptos pudessem nas fases finais dar um apoio aos jogadores que mais nenhuma seleção teve, à excepção da anfitriã.

         O foco e a disciplina de regras das concentrações intersectavam-se com um elevado grau de autonomia e responsabilização de todos os intervenientes.

         A tudo isto junta-se a crença lúcida de que SOMOS EFECTIVAMENTE OS MELHORES, acreditando que cumprindo o nosso processo dependemos só de nós mesmos e de que os outros têm de ficar à espera de um nosso dia menos bom para nos ganhar e não o contrário.

4-    

A evolução dentro da quadra

 

O futsal em 2021 é bem diferente de 2004. O ritmo de jogo e a mobilidade dos jogadores aumentou drasticamente. A tecnologia proporcionou que cada vez mais fosse possível estudar pormenorizadamente todos os adversários. O 5x4 modernizou-se, os guarda-redes começaram a jogar mais com os pés, as progressões individuais com a bola foram diminuindo porque cada vez havia menos espaço.

As situações de bola parada foram ganhando cada vez maior importância.

Face a toda esta crescente intensidade tornou-se primordial ter 10/12 jogadores de campo aptos para jogar os principais jogos e tornou-se impossível que um jogador jogasse a maior parte do tempo como por exemplo Iván em 2004.

Tendo no momento presente a melhor escola de treinadores do mundo é fácil perceber como estas premissas encaixaram na evolução nacional.

A intensidade e panóplia de variação de ações colectivas fizeram do Sporting (2017-2021) a equipa com mais sucesso na história da modalidade num período de 5 anos.

O facto de todos os novos jogadores da seleção terem começado no futsal e não no futebol como antes acontecia, fez com que as promessas nacionais adquirissem esses princípios técnicos e tácticos em tenra idade. Se juntarmos o nível da exigência lançado às seleções jovens (que dantes nem existiam) entendemos que Erick Mendonça, Tomás Paço, Zicky Té e Afonso Jesus chegaram à seleção nacional como uma ampla maturidade que antes era impensável em qualquer estreante.

Portanto, sendo Portugal o país que melhor se prepara no mundo dentro e fora da quadra é fácil entender como num contexto de maior intensidade, exigência e profissionalismo temos melhores condições para vencer.

Brasil e Rússia, por exemplo, ainda estão a viver da progressão individual exaustiva dos seus jogadores, do arrefecimento do ritmo de jogo para uma súbita mudança de velocidade, pararam no tempo, porque este já não é o modo para vencer no futsal actual.

Futsal uma modalidade com 30 milhões de praticantes, jogada de forma regular em 150 países, com staffs de mais de 20 elementos, intensidade e tomada de decisão rápida ímpar em comparação com qualquer desporto de pavilhão.

Já não basta ter talento individual e arrefecer e controlar o jogo para se ganhar.

Ganhará quem mais se adapta. E é por isso também que Ricardinho é o melhor jogador da história. Porque quando a táctica actual e as lesões (jogou o Mundial com menos um tendão) atiraram as suas fintas,cabritos e golos em fases decisivas para as recordações históricas ele apareceu com 7 assistências fabulosas (melhor do mundial neste capítulo) alicerçadas numa visão de jogo ímpar na história da modalidade.

Ricardinho a personificação do futsal da actualidade. O talento individual sempre, mas mesmo sempre ao serviço do colectivo dentro e fora da quadra.

Não ganharemos sempre, às vezes a bola irá ao poste e a do adversário para dentro, mas a longo prazo ganha quem é mais competente no processo.

Por isso, acredito que em 2041, poderemos recordar as palavras de Jorge Braz e efectivamente em títulos “sermos melhor que eles”.

 

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