Futsal
português entre 2013 e 2016
Durante
este período, tanto em clubes como em seleções, o futsal português teve
dificuldade para apresentar a mesma qualidade de jogo. Muitos dos principais
jogadores da melhor geração de ouro estavam a terminar a carreira internacional
como Pedro Costa, Arnaldo e Joel Queirós. Por outro lado Pany Varela, Fábio
Cecílio, Tiago Brito estavam a dar os primeiros passos na senda internacional.
Nenhum
clube português consegue chegar a nenhuma final da UEFA Futsal Cup e a seleção
alcança o 4º lugar do Euro 2014 e Mundial 2016
Desde
2017- Os efeitos práticos da ascensão do futsal nacional
Desde
2017 que o fustal português se assumiu como a maior potência mundial.
O
Sporting começou a investir em estrangeiros de enorme qualidade para tentar
sagrar-se campeão europeu.
Em
2016/2017 perde 7-0 na final com o Intervíu. Alex Merlim, Dieguinho e Cavinato
nunca tinham jogado a UEFA Futsal Cup com a camisola dos leões.
O
conjunto de Nuno Dias foi consolidando a sua ideia de jogo. Em 2017/2018 volta
a perder mas por 5-2 mas em 2018/2019 sagra-se pela primeira vez na história
campeão europeu.
A
seleção nacional pode beneficiar da maior maturação dos seus jovens e da
explosão internacional de André Coelho e Bruno Coelho para vencer a Espanha por
3-2 após prolongamento numa demonstração inequívoca da equipa mais organizada
da Europa.
A
evolução fora da quadra
A criação da Cidade do
futebol por parte da FPF proporcionou à seleção de futsal condições de profissionalismo
ímpares a nível internacional.
Um dos grandes segredos foi que o futsal nacional bebeu da
experiência organizacional da FPF ao mesmo tempo que fez aumentar a sua
influência directiva.
Integrando-se cada vez mais na estrutura da FPF ao mesmo
tempo que pela primeira vez na história tinha um director específico para o
fustal.
Os atletas, treinadores, dirigentes e todos os demais
profissionais cada vez mais estavam integrados com o futebol ao mesmo tempo que
o futsal desenvolvia um plano estrutural com autonomia.
A Liga Nacional foi crescendo de importância e aumentando
drasticamente o seu valor de marca e condições de profissionalização.
Um plano estratégico para a formação que permitiu aumentar o
número de praticantes, maior diálogo entre treinadores, sentimento comum de que
todos são importante para a mudança, de que ninguém é deixado para trás e
quando se ganha os primeiros nomes que se frisam são os que não estão cá e
contribuíram antes para que o hoje fosse possível.
O futsal português a todos os níveis começou a criar uma
união ímpar a nível internacional.
As condições de estágio e de estada em fases finais foram as
melhores possíveis, as residenciais do início do milénio substituídos por
hotéis de 4 e 5 estrelas.
A Federação fez de tudo para que famílias e adeptos pudessem
nas fases finais dar um apoio aos jogadores que mais nenhuma seleção teve, à excepção
da anfitriã.
O foco e a disciplina de regras das concentrações
intersectavam-se com um elevado grau de autonomia e responsabilização de todos
os intervenientes.
A tudo isto junta-se a crença lúcida de que SOMOS EFECTIVAMENTE OS MELHORES, acreditando que cumprindo o nosso processo dependemos só de nós mesmos e de que os outros têm de ficar à espera de um nosso dia menos bom para nos ganhar e não o contrário.
4-
A evolução dentro da quadra
O
futsal em 2021 é bem diferente de 2004. O ritmo de jogo e a mobilidade dos
jogadores aumentou drasticamente. A tecnologia proporcionou que cada vez mais
fosse possível estudar pormenorizadamente todos os adversários. O 5x4
modernizou-se, os guarda-redes começaram a jogar mais com os pés, as
progressões individuais com a bola foram diminuindo porque cada vez havia menos
espaço.
As
situações de bola parada foram ganhando cada vez maior importância.
Face
a toda esta crescente intensidade tornou-se primordial ter 10/12 jogadores de
campo aptos para jogar os principais jogos e tornou-se impossível que um
jogador jogasse a maior parte do tempo como por exemplo Iván em 2004.
Tendo
no momento presente a melhor escola de treinadores do mundo é fácil perceber
como estas premissas encaixaram na evolução nacional.
A
intensidade e panóplia de variação de ações colectivas fizeram do Sporting
(2017-2021) a equipa com mais sucesso na história da modalidade num período de
5 anos.
O
facto de todos os novos jogadores da seleção terem começado no futsal e não no
futebol como antes acontecia, fez com que as promessas nacionais adquirissem
esses princípios técnicos e tácticos em tenra idade. Se juntarmos o nível da
exigência lançado às seleções jovens (que dantes nem existiam) entendemos que
Erick Mendonça, Tomás Paço, Zicky Té e Afonso Jesus chegaram à seleção nacional
como uma ampla maturidade que antes era impensável em qualquer estreante.
Portanto,
sendo Portugal o país que melhor se prepara no mundo dentro e fora da quadra é
fácil entender como num contexto de maior intensidade, exigência e
profissionalismo temos melhores condições para vencer.
Brasil
e Rússia, por exemplo, ainda estão a viver da progressão individual exaustiva
dos seus jogadores, do arrefecimento do ritmo de jogo para uma súbita mudança
de velocidade, pararam no tempo, porque este já não é o modo para vencer no
futsal actual.
Futsal
uma modalidade com 30 milhões de praticantes, jogada de forma regular em 150
países, com staffs de mais de 20 elementos, intensidade e tomada de decisão
rápida ímpar em comparação com qualquer desporto de pavilhão.
Já
não basta ter talento individual e arrefecer e controlar o jogo para se ganhar.
Ganhará
quem mais se adapta. E é por isso também que Ricardinho é o melhor jogador da
história. Porque quando a táctica actual e as lesões (jogou o Mundial com menos
um tendão) atiraram as suas fintas,cabritos e golos em fases decisivas para as
recordações históricas ele apareceu com 7 assistências fabulosas (melhor do
mundial neste capítulo) alicerçadas numa visão de jogo ímpar na história da
modalidade.
Ricardinho
a personificação do futsal da actualidade. O talento individual sempre, mas
mesmo sempre ao serviço do colectivo dentro e fora da quadra.
Não
ganharemos sempre, às vezes a bola irá ao poste e a do adversário para dentro,
mas a longo prazo ganha quem é mais competente no processo.
Por
isso, acredito que em 2041, poderemos recordar as palavras de Jorge Braz e
efectivamente em títulos “sermos melhor que eles”.
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