sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Futsal: A evolução lusitana nos últimos 20 anos que permitiu alcançar o céu (1ª Parte)






“Ando a dizer há 20 anos que somos melhor que eles”

         Foi com estas palavras que Jorge Braz espicaçou os seus jogadores frente à Espanha, o início da reviravolta que permitiu Portugal chegar ao olimpo do futsal mundial.

         Neste artigo o Desporto Total explica o contexto da afirmação do treinador nacional e as razões para só agora termos atingindo a glória eterna mundial.


        1- Futsal Português de 2000 a 2007

Sendo rigoroso evidentemente que Portugal em nenhum parâmetro é melhor que a Espanha há 20 anos.

No Mundial da Guatemala em 2000 o conjunto português ficou em 3º lugar no Mundial, mas perdeu com o Brasil por 4-0 e 8-0 (na Meia-Final) e 3-1 frente à Espanha.

Em 2002 o Sporting foi goleado por 4-0 frente ao Playas Castellón nas meias-finais da 1ª competição oficial de clubes de futsal.

A partir de 2003 a história muda.

Portugal empata 3-3 com a Espanha no europeu, num jogo em que a falta de experiência lusitana foi preponderante para não alcançar a vitória que permitiria chegar às meias-finais.

Em 2004 na final da UEFA Futsal Cup o Benfica perdeu por 4-1 na 1ª mão frente ao Intervíu. Aos 4 minutos já estava a perder por 3-0. As águias entraram completamente atormentadas em campo, com medo de errar e com um nervosismo gritante que a experiência e frieza espanhola aproveitou para cavar um fosso irrecuperável na eliminatória.

Na 2ª mão os 2 golos de André Lima num minuto fizeram levantar o pavilhão quando o Benfica ganhava por 4-2, mas o pragmatismo madrileno fechou a porta a novas surpresas, marcaram um golo estabelecendo o 4-3 final.

O futsal em 2004 era muito diferente do actual. Era normal existir um fixo que jogasse mais de 30 minutos do jogo, as combinações atacantes eram mais lentas, a pressão sobre o portador da bola era menor, existia mais espaço para a qualidade individual fazer a diferença, um menor aproveitamento das bolas paradas, do 5x4 ofensivo, de guarda-redes a jogar com os pés.

No fundo um jogo mais lento e menos colectivo ofensivamente que o actual permitia que os espanhóis tanto em clubes como em seleções, soubessem melhor pautar os ritmos de jogo, gerir a transição defensiva e ter a frieza necessária para vencer.

Em 2007 Portugal está a vencer por 2-0 a Espanha nas meias-finais do europeu mas não teve o discernimento necessário para saber defender o 5x4, dando muito espaço no 2º poste aproveitado para que eles levassem o jogo para os penaltys e nos impedissem de jogar a final do europeu na nossa própria casa.

Do ponto de vista técnico a seleção lusitana em nada ficava a dever à Espanha. Pedro Costa, Arnaldo, Gonçalo Alves, Ricardinho, Joel Queirós, Israel, Ivan entre outros, eram craques que encantava ver jogar.


2- Futsal Português entre 2010 e 2012


Em 2010 Portugal perde a final do europeu contra a Espanha, num jogo em que mais uma vez os espanhóis não tiveram mais volume, intensidade ou criatividade de jogadas. O pragmatismo foi a característica essencial para o sucesso.

Com o pavilhão atlântico com 9400 adeptos o Benfica venceu o Intervíu na final da UEFA Futsal Cup por 3-2 após prolongamento.

O fogo lusitano poderia pela primeira vez vencer o gelo espanhol.

No final André Lima, treinador das águias, disse “ Mais do que vencer para mim o mais importante é ver pela primeira vez o Intervíu lá em baixo”

Por estas palavras assume-se que na época os adversários espanhóis eram um tremendo estigma nos portugueses.

Em 2011 o Sporting vai à final da UEFA Futsal Cup e apresentou o melhor colectivo da prova. Depois de ter eliminado o El Pozo Múrcia na ronda de elite numa demonstração colectiva fantástica eliminou o Kairat Almaty na sua própria casa.

Na final o Montesilvano, tal como na meia-final com o Benfica montou a maior teia defensiva da história do futsal de clubes, liderados por um fantástico Mammarella na baliza venceram por 5-2 mas ficou a ideia de que o Sporting tinha todas as condições para vencer a prova.

No Mundial de 2012, qual fotocópia, Mammarella numa exibição épica é peça preponderante para a reviravolta da Itália perante Portugal. O hat-trick de Ricardinho permitiu a Portugal estar a vencer por 3-0 mas no final do prolongamento o conjunto transalpino sorriu com os 4-3 finais. 


(Parte II em breve)



 

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