A retirada de Ricardinho
da seleção portuguesa deixa o futsal internacional muito mais pobre.
Mais do que falar que na senda internacional de seleções se
acabaram os coelhos da cartola do eterno mágico e que todo o seu perfume
exclusivo deixará de ser espalhado pelas quadras mais emblemáticos do mundo, o
Desporto Total lança um olhar global à carreira de Ricardinho, explicando o que
o futsal pode aprender para finalmente para dar o passo seguinte rumo à
afirmação no panorama desportivo internacional.
1-Carreira internacional de clubes de
Ricardinho
Até ao momento presente Ricardinho
participou em 11 edições da Liga dos Campeões de Futsal. O astro português
venceu por três vezes a competição. Por duas vezes foi finalista e por uma
semifinalista.
Onze participações e seis semifinais é
manifestamente pouco para quem é considerado quase unanimemente o melhor jogador
de sempre qua actuou na prova.
Cristiano Ronaldo por exemplo já
participou em 18 edições da Liga dos Campeões e por 11 vezes esteve nas
meias-finais.
Tendo o futebol um contexto de
competitividade superior, como se explicam estas diferenças?
No futsal, só a partir da época 2017/2018
passaram a competir 2 equipas por país, o que impossibilitou Ricardinho de
participar em 2005, 2007 e 2014 mesmo estando a actuar na Europa.
Todos os vencedores da Liga dos Campeões
de futsal disputaram a competição no máximo em 3 fins-de-semana por cada época.
Mesmo actualmente com 2 equipas dos 4
principais países, não existem mais de 10 equipas em condições de proporcionar
excelentes espectáculos desportivos.
Portanto não sendo uma presença assídua no
calendário e não tendo muitos jogos de grande qualidade a competição está longe
de alcançar um valor de mercado minimamente comparável com o Andebol e
Voleibol, por exemplo.
Este facto faz com que a participação na
Liga dos Campeões não seja uma prioridade na carreira dos atletas.
Por tudo isto foi possível, um clube
japonês em 2010 oferecer a Ricardinho um ordenado que nenhum dos tubarões
europeus estava disposto a oferecer e portanto de 2011 a 2013 o melhor jogador
do mundo estava fora da competição.
Ricardinho sentia-se muito bem tratado do
Japão e só voltou à Europa porque sabia que só assim poderia voltar a ser o
melhor jogador do mundo.
Quem perdeu mais com tudo isto foi a
própria modalidade. Que perdendo o seu principal intérprete não se
potencializou. Em 2018 na altura em que foi eleito o melhor jogador do mundo pela
última vez auferia cerca de 300 mil euros anuais. Este valor é quase 10 vezes
inferior ao salário de Mikkel Hansen-Andebol (2,5 milhões de euros anuais).
Ricardinho é actualmente o terceiro melhor
marcador de sempre da Liga dos Campeões e 95% dos consumidores portugueses da
final do Mundial de Futsal não saberão quem são os dois melhores marcadores:
André Vanderlei e Lúcio.
2-Carreira
internacional de Ricardinho nas seleções
Se a Liga dos Campeões
nunca conseguiu ter um protagonismo sistemático no futsal internacional as
competições de seleções assumiriam um papel preponderante para a divulgação da
modalidade.
Contudo, os Mundiais
apenas se realizam de 4 em 4 anos e os Europeus de 2 em 2 até 2018 e de 4 em 4
desde então.
Ricardinho marcou 3 golos
à Itália nos quartos-de-final do Mundial de 2012, foi o melhor marcador do
Mundial de 2016 e o melhor jogador do mundial de 2021. Foi ainda melhor jogador
do Europeu de 2007 e 2018. Em 2012,2014 e 2016 realizou excelentes europeus. Em
2014 marcou quando fomos eliminados com a Itália e em 2016 bisou contra a
Espanha na mesma circunstância.
Portanto esteve sempre em
grande forma nas grandes competições, mas Portugal infelizmente até 2018 nunca
conseguiu vencer nenhum troféu. Em 2011 e 2013 Ricardinho não disputou qualquer
competição internacional. E neste contexto percebemos que face ao seu valor
poderia ter alcançado resultado ainda melhores.
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