quarta-feira, 17 de novembro de 2021

Ricardinho- O mágico carregador de pianos em prol do colectivo (Parte I)

 


        A retirada de Ricardinho da seleção portuguesa deixa o futsal internacional muito mais pobre.

         Mais do que falar que na senda internacional de seleções se acabaram os coelhos da cartola do eterno mágico e que todo o seu perfume exclusivo deixará de ser espalhado pelas quadras mais emblemáticos do mundo, o Desporto Total lança um olhar global à carreira de Ricardinho, explicando o que o futsal pode aprender para finalmente para dar o passo seguinte rumo à afirmação no panorama desportivo internacional.

   1-Carreira internacional de clubes de Ricardinho

 

Até ao momento presente Ricardinho participou em 11 edições da Liga dos Campeões de Futsal. O astro português venceu por três vezes a competição. Por duas vezes foi finalista e por uma semifinalista.

Onze participações e seis semifinais é manifestamente pouco para quem é considerado quase unanimemente o melhor jogador de sempre qua actuou na prova.

Cristiano Ronaldo por exemplo já participou em 18 edições da Liga dos Campeões e por 11 vezes esteve nas meias-finais.

Tendo o futebol um contexto de competitividade superior, como se explicam estas diferenças?

No futsal, só a partir da época 2017/2018 passaram a competir 2 equipas por país, o que impossibilitou Ricardinho de participar em 2005, 2007 e 2014 mesmo estando a actuar na Europa.

Todos os vencedores da Liga dos Campeões de futsal disputaram a competição no máximo em 3 fins-de-semana por cada época.

Mesmo actualmente com 2 equipas dos 4 principais países, não existem mais de 10 equipas em condições de proporcionar excelentes espectáculos desportivos.

Portanto não sendo uma presença assídua no calendário e não tendo muitos jogos de grande qualidade a competição está longe de alcançar um valor de mercado minimamente comparável com o Andebol e Voleibol, por exemplo.

Este facto faz com que a participação na Liga dos Campeões não seja uma prioridade na carreira dos atletas.

Por tudo isto foi possível, um clube japonês em 2010 oferecer a Ricardinho um ordenado que nenhum dos tubarões europeus estava disposto a oferecer e portanto de 2011 a 2013 o melhor jogador do mundo estava fora da competição.

Ricardinho sentia-se muito bem tratado do Japão e só voltou à Europa porque sabia que só assim poderia voltar a ser o melhor jogador do mundo.

Quem perdeu mais com tudo isto foi a própria modalidade. Que perdendo o seu principal intérprete não se potencializou. Em 2018 na altura em que foi eleito o melhor jogador do mundo pela última vez auferia cerca de 300 mil euros anuais. Este valor é quase 10 vezes inferior ao salário de Mikkel Hansen-Andebol (2,5 milhões de euros anuais).

Ricardinho é actualmente o terceiro melhor marcador de sempre da Liga dos Campeões e 95% dos consumidores portugueses da final do Mundial de Futsal não saberão quem são os dois melhores marcadores: André Vanderlei e Lúcio.

 

  2-Carreira internacional de Ricardinho nas seleções

 

Se a Liga dos Campeões nunca conseguiu ter um protagonismo sistemático no futsal internacional as competições de seleções assumiriam um papel preponderante para a divulgação da modalidade.

Contudo, os Mundiais apenas se realizam de 4 em 4 anos e os Europeus de 2 em 2 até 2018 e de 4 em 4 desde então.

Ricardinho marcou 3 golos à Itália nos quartos-de-final do Mundial de 2012, foi o melhor marcador do Mundial de 2016 e o melhor jogador do mundial de 2021. Foi ainda melhor jogador do Europeu de 2007 e 2018. Em 2012,2014 e 2016 realizou excelentes europeus. Em 2014 marcou quando fomos eliminados com a Itália e em 2016 bisou contra a Espanha na mesma circunstância.

Portanto esteve sempre em grande forma nas grandes competições, mas Portugal infelizmente até 2018 nunca conseguiu vencer nenhum troféu. Em 2011 e 2013 Ricardinho não disputou qualquer competição internacional. E neste contexto percebemos que face ao seu valor poderia ter alcançado resultado ainda melhores.


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