terça-feira, 14 de setembro de 2021

Triplo Salto: A nova referência do Atletismo Português


A participação lusitana no triplo salto nos Jogos Olímpicos no século XX foi completamente residual com apenas 2 atletas  de 1956 até 1996. A quase total ausência de condições mínimas para formar atletas nas áreas técnicas explicam as escassas participações de Portugal no sector dos saltos e dos lançamentos.

Na viragem do século estaríamos longe de imaginar, que o Triplo Salto no século XXI estaria a tentar superar a Maratona em medalhas em Mundiais ao Ar Livre e Jogos Olímpicos.

Maratona (7)- Ouro (4)/Prata (2)/Bronze (1)

Triplo Salto (7)- Ouro (3)/Prata (2)/Bronze (2)

10000 metros (5)- Ouro (2)/Prata (2)/Bronze (1)

5000 metros  (4)- Prata (2)/Bronze (2)

1500 metros (4)- Ouro (1)/Bronze (3)

Salto em Comprimento (2)- Bronze (2)

20 Km Marcha (2)- Bronze (2)

50 Km Marcha (1)- Prata (1)- Não é disciplina olímpica no sector feminino

100 metros (1)- Prata (1)

Desde 1985 que a Federação Internacional de Atletismo criou um circuito mundial. As classificações de cada disciplina foram entre 1985-1992 e 2010-2016 por pontuação num conjunto de provas do circuito, dando mais pontos na etapa final. Entre 1993-2009 e a partir de 2017 a classificação é apenas da etapa final, sendo as precursoras o apuramento.

Pelo facto de as provas de 10000 metros e Maratona não fazerem parte do circuito Portugal tem apenas 11 medalhas.

Triplo Salto (4)- Ouro (3)/Bronze (1)

1500 metros (3)- Ouro (1)/Prata (1)/Bronze (1)

Salto em Comprimento (2)- Ouro (1)/Bronze (1)

100 metros (1)- Prata (1)

Peso (1)- Prata (1)

5000 metros (1)- Bronze (1)

Se contabilizarmos os resultados do 1º ao 8º lugar desde 1993 o Triplo Salto lidera com 13. Nos 1500 metros por 10 vezes atletas portugueses conseguiram alcançar o top8.

Os restantes: 

100 metros- 5

Salto em Comprimento-3

200-2

3000,Peso,Disco-1

Desde 1996 as mulheres puderam participar nos Jogos Olímpicos.

Pelo menos 3 Medalhas:

EUA e Rússia- 5

Portugal, Grã-Bretanha, Cazaquistão, Cuba e Ucrânia- 3

Dentro dos países com 3 medalhas somos o melhor. Se se contabilizar os resultados desde 2004 somos o 2º melhor país do Mundo depois dos EUA.

Desde 2003 que se disputa no sector masculino e feminino no mesmo ano o Triplo Salto no circuito mundial.

Os EUA por variadíssimas vezes, Rússia (2005;2008) e Cuba (2010) eram até 2020 os únicos países com 3 atletas no top5 no mesmo ano juntando os resultados masculinos e femininos.

Portugal com o título de Pedo Pichardo, o 4º  de Patrícia Mamona e o 5º de Tiago Pereira juntou-se a este lote sendo no presente ano o único país do mundo a conseguir esta proeza.

Por todas estas razões é absolutamente brilhante o que o Triplo Salto tem feito no desporto português e na própria disciplina a nível mundial.

João Ganço, José Uva, Jorge Pichardo foram os 3 treinadores dos medalhados olímpicos Nélson Évora, Patrícia Mamona e Pedro Pichardo.

Tiago Pereira chegou a liderar a Liga Diamante na presente temporada terminando em 5º e Susana Costa foi 6º em 2016.

Desde 1993 Portugal nunca teve mais de 2 atletas no top8 do Circuito Mundial numa disciplina. O Triplo Salto têm 5!

Quando Pedro Pichardo chegou de Tóquio ficou surpreso com as poucas perguntas dos jornalistas. Em entrevista à TVI disse que queria que os jovens fossem atrás dele e que a disciplina crescesse em Portugal.

Mas infelizmente a comunicação social optou por ocultar todos os feitos que a disciplina tem feito em Portugal para alimentar a polémica entre Nélson Évora e Pedro Pichardo.

Os 2 atletas são os únicos campeões olímpicos do desporto português no século XXI. O ouro Mundial de Nélson Évora em Osaka 2007 foi o início de uma ascensão apoteótica da disciplina no nosso país. A vitória em Pequim 2008 ajudou a criar um legado. Temos excelentes condições climatéricas que propiciem que estes grandes treinadores e outros continuem a lapidar cada vez melhor todos estes diamantes e andamos a perder tempo com polémica.

O meio-fundo e fundo português não soube entender as mudanças do século XXI e está em profunda crise. A marcha nacional sem apoios aos atletas está cada vez mais longe das utópicas prestações colectivas da pretérita década.

Se não entendermos que este não é o caminho estaremos mais perto daqui a 10 anos de olhar para esta disciplina e apenas recordar com nostalgia os seus feitos na história do desporto nacional.

É urgente cessar a polémica e ter foco nos resultados alcançados para motivar todo o tipo de agentes desportivos a intervir na disciplina. Mas será que estaremos para isto?

 

 

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