A
participação lusitana no triplo salto nos Jogos Olímpicos no século XX foi
completamente residual com apenas 2 atletas
de 1956 até 1996. A quase total ausência de condições mínimas para formar
atletas nas áreas técnicas explicam as escassas participações de Portugal no
sector dos saltos e dos lançamentos.
Na
viragem do século estaríamos longe de imaginar, que o Triplo Salto no século
XXI estaria a tentar superar a Maratona em medalhas em Mundiais ao Ar Livre e
Jogos Olímpicos.
Maratona (7)- Ouro (4)/Prata (2)/Bronze
(1)
Triplo Salto (7)- Ouro (3)/Prata
(2)/Bronze (2)
10000 metros (5)- Ouro (2)/Prata
(2)/Bronze (1)
5000 metros (4)- Prata (2)/Bronze (2)
1500 metros (4)- Ouro (1)/Bronze (3)
Salto em Comprimento (2)- Bronze (2)
20 Km Marcha (2)- Bronze (2)
50 Km Marcha (1)- Prata (1)- Não é
disciplina olímpica no sector feminino
100 metros (1)- Prata (1)
Desde 1985 que a Federação Internacional de Atletismo criou um circuito mundial. As classificações de cada disciplina foram entre 1985-1992 e 2010-2016 por pontuação num conjunto de provas do circuito, dando mais pontos na etapa final. Entre 1993-2009 e a partir de 2017 a classificação é apenas da etapa final, sendo as precursoras o apuramento.
Pelo
facto de as provas de 10000 metros e Maratona não fazerem parte do circuito
Portugal tem apenas 11 medalhas.
Triplo Salto (4)- Ouro (3)/Bronze (1)
1500 metros (3)- Ouro (1)/Prata (1)/Bronze
(1)
Salto em Comprimento (2)- Ouro (1)/Bronze
(1)
100 metros (1)- Prata (1)
Peso (1)- Prata (1)
5000 metros (1)- Bronze (1)
Se contabilizarmos os resultados do 1º ao 8º lugar desde 1993 o Triplo Salto lidera com 13. Nos 1500 metros por 10 vezes atletas portugueses conseguiram alcançar o top8.
Os restantes:
100 metros- 5
Salto em Comprimento-3
200-2
3000,Peso,Disco-1
Desde 1996 as mulheres puderam participar nos Jogos Olímpicos.
Pelo menos 3 Medalhas:
EUA e Rússia- 5
Portugal, Grã-Bretanha, Cazaquistão, Cuba e Ucrânia- 3
Dentro dos países com 3 medalhas somos o melhor.
Se se contabilizar os resultados desde 2004 somos o 2º melhor país do Mundo
depois dos EUA.
Desde 2003 que se disputa no sector masculino
e feminino no mesmo ano o Triplo Salto no circuito mundial.
Os EUA por variadíssimas vezes, Rússia
(2005;2008) e Cuba (2010) eram até 2020 os únicos países com 3 atletas no top5
no mesmo ano juntando os resultados masculinos e femininos.
Portugal com o título de Pedo Pichardo, o
4º de Patrícia Mamona e o 5º de Tiago
Pereira juntou-se a este lote sendo no presente ano o único país do mundo a
conseguir esta proeza.
Por todas estas razões é absolutamente
brilhante o que o Triplo Salto tem feito no desporto português e na própria
disciplina a nível mundial.
João Ganço, José Uva, Jorge Pichardo foram
os 3 treinadores dos medalhados olímpicos Nélson Évora, Patrícia Mamona e Pedro
Pichardo.
Tiago Pereira chegou a liderar a Liga Diamante
na presente temporada terminando em 5º e Susana Costa foi 6º em 2016.
Desde 1993 Portugal nunca teve mais de 2
atletas no top8 do Circuito Mundial numa disciplina. O Triplo Salto têm 5!
Quando Pedro Pichardo chegou de Tóquio
ficou surpreso com as poucas perguntas dos jornalistas. Em entrevista à TVI
disse que queria que os jovens fossem atrás dele e que a disciplina crescesse
em Portugal.
Mas infelizmente a comunicação social
optou por ocultar todos os feitos que a disciplina tem feito em Portugal para
alimentar a polémica entre Nélson Évora e Pedro Pichardo.
Os 2 atletas são os únicos campeões
olímpicos do desporto português no século XXI. O ouro Mundial de Nélson Évora
em Osaka 2007 foi o início de uma ascensão apoteótica da disciplina no nosso
país. A vitória em Pequim 2008 ajudou a criar um legado. Temos excelentes
condições climatéricas que propiciem que estes grandes treinadores e outros
continuem a lapidar cada vez melhor todos estes diamantes e andamos a perder
tempo com polémica.
O meio-fundo e fundo português não soube
entender as mudanças do século XXI e está em profunda crise. A marcha nacional
sem apoios aos atletas está cada vez mais longe das utópicas prestações
colectivas da pretérita década.
Se não entendermos que este não é o
caminho estaremos mais perto daqui a 10 anos de olhar para esta disciplina e
apenas recordar com nostalgia os seus feitos na história do desporto nacional.
É urgente cessar a polémica e ter foco nos
resultados alcançados para motivar todo o tipo de agentes desportivos a
intervir na disciplina. Mas será que estaremos para isto?

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