A decisão da Federação
Internacional de Judo em não ceder um convite a um judoca português na categoria de -60 ou -66 que
viabilizasse a participação lusa é um atentado aos princípios olímpicos, como
explicaremos de seguida.
Foi a 23 de junho de
1894 que delegados de 12 países se reuniram na Universidade de Sorbonne, em
Paris, para votarem por unanimidade a proposta de Pierre de Coubertin no
sentido da realização dos Jogos Olímpicos, à semelhança do que acontecia na
Grécia antiga. Um dos objectivos era promover o encontro e a competição de
atletas oriundos de todo o mundo em diversas modalidades desportivas. O outro é
naturalmente fazer um mundo melhor através do desporto.
Por esta ideologia os
valores olímpicos são: EXCELÊNCIA,AMIZADE,RESPEITO
Por EXCELÊNCIA
entende-se os limites que se podem alcançar, as barreiras que se podem quebrar.
O desporto recusa-nos a aceitar o agora como resposta. O amanhã pode ser
completamente diferente para melhor se através da superação chegarmos à
excelência.
Por AMIZADE a
capacidade de união de pessoas, equipas e países com culturas completamente
diferentes através do olimpismo.
Por RESPEITO
entende-se todo o fair-play que devem ter todos os diversos agentes desportivos
na competição.
Segundo Pierre
Coubertin: “O mais importante nos Jogos Olímpicos não é vencer, mas sim
participar, assim como o mais importante na vida não é o triunfo, é a luta. O
essencial não é ter vencido, mas sim ter lutado bem.”
Neste contexto para atingir os
objectivos de participação e excelência é essencial dar ao maior número de
atletas ou equipas com resultados dentro do top-16 a oportunidade de disputarem
os Jogos Olímpicos.
Por questões
logísticas é impossível que todas as provas de equipas de desportos olímpicos figurem
no calendário olímpico. Esta realidade é uma inevitabilidade que dolorosamente
temos que aceitar quando concordamos com o aumento dos desportos olímpicos.
A qualificação para a
prova de equipas mistas no Judo dá-se apenas para os países que conseguiram
qualificar 6 atletas nos 6 grupos de categorias individuais.
Portugal
consegui neste ciclo olímpico ter top-5 num mundial ou estar top-10 da
lista final de apurados em 5 das 6 categorias. Fomos colectivamente
vice-campeões europeus derrotando a França que nas 3 últimas edições dos
mundiais foi vice-campeã mundial e se sagrou campeã olímpica.
Como não tivemos um atleta qualificado
no grupo de -60 até -73 não nos qualificamos.
A Federação
Internacional de Judo tinha ainda 20 convites mas Portugal ficou fora, apesar de ter estado perto da qualificação
individual do 6º elemento e de ser o actual vice-campeão da Europa.
A participação de 16
equipas em vez de 12 neste caso específico não obrigava ao aumento de atletas
participantes nos Jogos Olímpicos. Nos Campeonatos da Europa e do Mundo já
aconteceu que certas equipas não estivessem completas e competissem, perdendo
na categoria que não apresentavam nenhum judoca. Mas não deixavam de participar
e de poder vencer o confronto com o adversário.
Portanto, não existe
nenhuma razão válida para a exclusão da equipa
de Portugal.
Devido a este rigoroso
sistema de qualificação apenas 12 países se classificaram. Desses apenas
Israel, Mongólia e Uzbequistão ganharam menos de 100 medalhas nos Jogos
Olímpicos.
Deste modo as potências
do desporto olímpico viram amplificadas as suas possibilidade de garantir uma
medalha, pela exclusão de outros países que lhe venceram neste ciclo olímpico.
O espírito de
participação de Pierre de Coubertin é completamente posto de parte, porque
quase só os mais privilegiados podem participar.
A EXCELÊNCIA está
longe da plenitude porque nem todos os candidatos às medalhas participam.
A AMIZADE não é tão
valorizada, porque existindo menos combates, menos é visível a unicidade e
espírito de equipa dos intervenientes.
O RESPEITO também está
longe de ser concretizado, porque com esta elitização, não se dá oportunidades
a países com menos população mas com excelentes resultados individuais e
colectivos de poderem pelo menos lutar como falava Pierre de Coubertin.
A inclusão de mais 4
equipas não alteraria a logística dos Jogos Olímpicos, nem as transmissões
televisivas.
Em vez disso tívemos
espaços em branco no horário pré-estabelecido (o calendário estava preparada
para a inclusão de 16 equipas), 4 equipas directamente qualificadas para os
quartos-de-final, com um menor desgaste físico que os adversários e uma maior
previsibilidade dos resultados.
Não foi isto que Pierre de Coubertin
pediu.

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