sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Perspectiva: Portugal fora das equipas mistas no Judo em Tóquio2020

 


A decisão da Federação Internacional de Judo em não ceder um convite a um judoca português na categoria de -60 ou -66 que viabilizasse a participação lusa é um atentado aos princípios olímpicos, como explicaremos de seguida.

Foi a 23 de junho de 1894 que delegados de 12 países se reuniram na Universidade de Sorbonne, em Paris, para votarem por unanimidade a proposta de Pierre de Coubertin no sentido da realização dos Jogos Olímpicos, à semelhança do que acontecia na Grécia antiga. Um dos objectivos era promover o encontro e a competição de atletas oriundos de todo o mundo em diversas modalidades desportivas. O outro é naturalmente fazer um mundo melhor através do desporto.

Por esta ideologia os valores olímpicos são: EXCELÊNCIA,AMIZADE,RESPEITO

Por EXCELÊNCIA entende-se os limites que se podem alcançar, as barreiras que se podem quebrar. O desporto recusa-nos a aceitar o agora como resposta. O amanhã pode ser completamente diferente para melhor se através da superação chegarmos à excelência.

Por AMIZADE a capacidade de união de pessoas, equipas e países com culturas completamente diferentes através do olimpismo.

Por RESPEITO entende-se todo o fair-play que devem ter todos os diversos agentes desportivos na competição.

Segundo Pierre Coubertin: “O mais importante nos Jogos Olímpicos não é vencer, mas sim participar, assim como o mais importante na vida não é o triunfo, é a luta. O essencial não é ter vencido, mas sim ter lutado bem.”

Neste contexto para atingir os objectivos de participação e excelência é essencial dar ao maior número de atletas ou equipas com resultados dentro do top-16 a oportunidade de disputarem os Jogos Olímpicos.

Por questões logísticas é impossível que todas as provas de equipas de desportos olímpicos figurem no calendário olímpico. Esta realidade é uma inevitabilidade que dolorosamente temos que aceitar quando concordamos com o aumento dos desportos olímpicos.

A qualificação para a prova de equipas mistas no Judo dá-se apenas para os países que conseguiram qualificar 6 atletas nos 6 grupos de categorias individuais.

Portugal consegui neste ciclo olímpico ter top-5 num mundial ou estar top-10 da lista final de apurados em 5 das 6 categorias. Fomos colectivamente vice-campeões europeus derrotando a França que nas 3 últimas edições dos mundiais foi vice-campeã mundial e se sagrou campeã olímpica.

Como não tivemos um atleta qualificado no grupo de -60 até -73 não nos qualificamos.

A Federação Internacional de Judo tinha ainda 20 convites mas Portugal ficou fora, apesar de ter estado perto da qualificação individual do 6º elemento e de ser o actual vice-campeão da Europa.

A participação de 16 equipas em vez de 12 neste caso específico não obrigava ao aumento de atletas participantes nos Jogos Olímpicos. Nos Campeonatos da Europa e do Mundo já aconteceu que certas equipas não estivessem completas e competissem, perdendo na categoria que não apresentavam nenhum judoca. Mas não deixavam de participar e de poder vencer o confronto com o adversário.

Portanto, não existe nenhuma razão válida para a exclusão da equipa de Portugal.

Devido a este rigoroso sistema de qualificação apenas 12 países se classificaram. Desses apenas Israel, Mongólia e Uzbequistão ganharam menos de 100 medalhas nos Jogos Olímpicos.

Deste modo as potências do desporto olímpico viram amplificadas as suas possibilidade de garantir uma medalha, pela exclusão de outros países que lhe venceram neste ciclo olímpico.

O espírito de participação de Pierre de Coubertin é completamente posto de parte, porque quase só os mais privilegiados podem participar.

A EXCELÊNCIA está longe da plenitude porque nem todos os candidatos às medalhas participam.

A AMIZADE não é tão valorizada, porque existindo menos combates, menos é visível a unicidade e espírito de equipa dos intervenientes.

O RESPEITO também está longe de ser concretizado, porque com esta elitização, não se dá oportunidades a países com menos população mas com excelentes resultados individuais e colectivos de poderem pelo menos lutar como falava Pierre de Coubertin.

A inclusão de mais 4 equipas não alteraria a logística dos Jogos Olímpicos, nem as transmissões televisivas.

Em vez disso tívemos espaços em branco no horário pré-estabelecido (o calendário estava preparada para a inclusão de 16 equipas), 4 equipas directamente qualificadas para os quartos-de-final, com um menor desgaste físico que os adversários e uma maior previsibilidade dos resultados.

Não foi isto que Pierre de Coubertin pediu.

 

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