sábado, 11 de setembro de 2021

Andebol anos 70- Consolidação olímpica


 

Escrever sobre o Andebol nos anos 70 é uma tarefa extremamente difícil, a quantidade de jogos disponíveis para visualização é muito curta. A qualidade de imagem e a ausência de várias câmaras permite também não ter a melhor capacidade para visualizar jogos e identificar sempre todos os jogadores. Junto ainda o facto de não existirem jogos narrados em português e espanhol para concluir da dificuldade de ter uma análise mais precisa. Por isso mesmo, ao contrário das próximas crónicas é natural que esteja mais incompleta e mais longe de relatar efectivamente o que foi o Andebol neste período.

 

Essencialmente o Andebol neste período caracterizava-se pela influência da escola soviética e romena nos processos ofensivos e defensivos das principais seleções do mundo. À excepção da Alemanha Federal em 1978 todos os vencedores de competições mundiais pertenceram ao bloco de leste.

 

O jogo privilegiava o ataque sustentado em ritmo lento. O Contra-ataque era quase inexistente. A principal diferença para os dias de hoje reflectia-se na atuação da 2ª linha. Quase todas as equipas tinham um Central que fazia duplo-pivot e um ponta que entrava também a Pivot, chegando a existir em muitas jogadas 3 jogadores simultaneamente a poder receber a bola enquanto Pivot. 

Muitas vezes o próprio Pivot também recuava e outro lateral vinha ocupar esse lugar. Os Pivots eram essencialmente jogadores que jogavam para permitir à equipa encontrar outros espaços e não tanto como hoje em dia, que embora continuem fundamentais nos bloqueios são capazes de marcar muitas vezes mais de 5/6 golos por jogo, uma raridade para a época.

 

A Jugoslávia campeã olímpica em 1972 têm muitas destas características embora não possa deixar de ser mencionada a sua elevada velocidade de circulação de bola para a época.

 

Com um extraordinário guarda-redes: Arsnalagic muito forte nos 7 metros e uma defesa muito coesa a nível central, que na década de 80 iria dar origem à defesa 5x1 Jugoslava que abrilhantou o mundo era uma seleção muito difícil de bater. Na primeira-parte da final contra a Checoslováquia apenas sofreu 5 golos.

 

Esta Jugoslávia era uma equipa assimétrica. A lateral direito Lavrnic era um jogador essencialmente de combinações, vinha muitas vezes ao lado contrário combinar com o ponta-esquerdo Branislav Pokrajac (ex-treinador do FC Porto e Sporting), que era muito incisivo nas suas ações curtas e rápidas, bem como letal no Contra-ataque, marcou 4 golos na final. Em 1984 como seleccionador da jugoslávia vence os Jogos Olímpicos e o contra-ataque volta a ser decisivo. Mostrava já nesta altura que lia o jogo à frente de todos os outros.

 

O ponta-direita Pribanik vinha ao espaço central fazer combinações 2x2 quando Lavrnic ficava na sua posição. Se o lado direito trabalhava mais para o colectivo o lado esquerdo tinha maior velocidade e decisão individual. Para além de Pokrajac, já aqui citado importa realçar o papel de Lazarevic como lateral esquerdo. 

Com um fortíssimo tiro em suspensão, algo perfeitamente invulgar para a época, o jogador balcânico jogava a uma velocidade superior a todos os outros, muito forte no 1x1, rompia e assitia muitas vezes o Pivot Miskovic que era muito inteligente, mais móvel que o habitual. A decidir os ritmos de jogo estava o Central Hovrat que entrava muitas vezes a 2º Pivot e dava espaço para o lateral direito entrar como já aqui falado, para além de atrair jogadores para Lazarevic brilhar. Horvat o primeiro grande maestro do Andebol olímpico.

 

A destreza técnica com que faziam estas combinações permitiu-lhes chegar à glória olímpica.

A Checoslováquia não teve antídoto para parar o furação jugoslavo. Essencialmente também porque o seu jogo não encaixava quer no plano ofensivo quer no plano defensivo. A escola Checoslováquia tinha importantes diferenças relativamente à jugoslava. Esta Checoslováquia de 1972 é um esboço do Dukla de Praga campeão europeu de 1984. 

Com uma circulação muito mais lenta, para além da junção do Central a 2º Pivot, um dos laterais também o fazia, o Pivot Krepindl saia muitas vezes como placa giratória. O jogo era excessivamente sustentado, os dois pontas procuravam muito o espaço interior também sempre à procura de uma nesga para rematar. O jogo funcionava demasiado em carrossel, mas face à consistência central da juguslávia apenas 5 golos foram marcados na 1ª parte. Com esta ineficácia atacante, surgiram perdas de bola que originaram os contra-ataques já citados.


 Na 2ª parte com Mikes um ponta-esquerdo mais puro no lugar de Lavko e com o lateral direito Jary a resolver mais rápido individualmente quando a Juguslávia estava mais cansada o jogo equilibrou mas a diferença era demasiado grande.


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