Escrever sobre o Andebol nos anos 70 é uma
tarefa extremamente difícil, a quantidade de jogos disponíveis para
visualização é muito curta. A qualidade de imagem e a ausência de várias
câmaras permite também não ter a melhor capacidade para visualizar jogos e
identificar sempre todos os jogadores. Junto ainda o facto de não existirem
jogos narrados em português e espanhol para concluir da dificuldade de ter uma
análise mais precisa. Por isso mesmo, ao contrário das próximas crónicas é
natural que esteja mais incompleta e mais longe de relatar efectivamente o que
foi o Andebol neste período.
Essencialmente o Andebol neste período caracterizava-se
pela influência da escola soviética e romena nos processos ofensivos e
defensivos das principais seleções do mundo. À excepção da Alemanha Federal em
1978 todos os vencedores de competições mundiais pertenceram ao bloco de leste.
O jogo privilegiava o ataque sustentado em ritmo lento. O Contra-ataque era quase inexistente. A principal diferença para os dias de hoje reflectia-se na atuação da 2ª linha. Quase todas as equipas tinham um Central que fazia duplo-pivot e um ponta que entrava também a Pivot, chegando a existir em muitas jogadas 3 jogadores simultaneamente a poder receber a bola enquanto Pivot.
Muitas vezes o próprio Pivot também recuava e
outro lateral vinha ocupar esse lugar. Os Pivots eram essencialmente jogadores
que jogavam para permitir à equipa encontrar outros espaços e não tanto como
hoje em dia, que embora continuem fundamentais nos bloqueios são capazes de
marcar muitas vezes mais de 5/6 golos por jogo, uma raridade para a época.
A Jugoslávia campeã olímpica em 1972 têm
muitas destas características embora não possa deixar de ser mencionada a sua
elevada velocidade de circulação de bola para a época.
Com um extraordinário guarda-redes:
Arsnalagic muito forte nos 7 metros e uma defesa muito coesa a nível central,
que na década de 80 iria dar origem à defesa 5x1 Jugoslava que abrilhantou o
mundo era uma seleção muito difícil de bater. Na primeira-parte da final contra
a Checoslováquia apenas sofreu 5 golos.
Esta Jugoslávia era uma equipa
assimétrica. A lateral direito Lavrnic era um jogador essencialmente de
combinações, vinha muitas vezes ao lado contrário combinar com o ponta-esquerdo
Branislav Pokrajac (ex-treinador do FC Porto e Sporting), que era muito
incisivo nas suas ações curtas e rápidas, bem como letal no Contra-ataque,
marcou 4 golos na final. Em 1984 como seleccionador da jugoslávia vence os
Jogos Olímpicos e o contra-ataque volta a ser decisivo. Mostrava já nesta
altura que lia o jogo à frente de todos os outros.
O ponta-direita Pribanik vinha ao espaço central fazer combinações 2x2 quando Lavrnic ficava na sua posição. Se o lado direito trabalhava mais para o colectivo o lado esquerdo tinha maior velocidade e decisão individual. Para além de Pokrajac, já aqui citado importa realçar o papel de Lazarevic como lateral esquerdo.
Com um fortíssimo tiro em suspensão,
algo perfeitamente invulgar para a época, o jogador balcânico jogava a uma velocidade
superior a todos os outros, muito forte no 1x1, rompia e assitia muitas vezes o
Pivot Miskovic que era muito inteligente, mais móvel que o habitual. A decidir
os ritmos de jogo estava o Central Hovrat que entrava muitas vezes a 2º Pivot e
dava espaço para o lateral direito entrar como já aqui falado, para além de
atrair jogadores para Lazarevic brilhar. Horvat o primeiro grande maestro do
Andebol olímpico.
A destreza técnica com que faziam estas
combinações permitiu-lhes chegar à glória olímpica.
A Checoslováquia não teve antídoto para parar o furação jugoslavo. Essencialmente também porque o seu jogo não encaixava quer no plano ofensivo quer no plano defensivo. A escola Checoslováquia tinha importantes diferenças relativamente à jugoslava. Esta Checoslováquia de 1972 é um esboço do Dukla de Praga campeão europeu de 1984.
Com uma circulação muito mais lenta, para além da junção do Central a 2º Pivot,
um dos laterais também o fazia, o Pivot Krepindl saia muitas vezes como placa
giratória. O jogo era excessivamente sustentado, os dois pontas procuravam
muito o espaço interior também sempre à procura de uma nesga para rematar. O
jogo funcionava demasiado em carrossel, mas face à consistência central da
juguslávia apenas 5 golos foram marcados na 1ª parte. Com esta ineficácia
atacante, surgiram perdas de bola que originaram os contra-ataques já citados.
Na
2ª parte com Mikes um ponta-esquerdo mais puro no lugar de Lavko e com o
lateral direito Jary a resolver mais rápido individualmente quando a Juguslávia
estava mais cansada o jogo equilibrou mas a diferença era demasiado grande.

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