O
TEKA Santander marcou a década de 90 do Andebol europeu. Neste período, o clube
cantábrio foi 1 vez campeão europeu, 1 vez finalista, 1 semifinalista, ganhou 2
Taças das Taças, 1 Taça IHF (actualmente Liga Europeia) e foi finalista da Taça
das Taças por mais 2 ocasiões.
O primeiro grande feito da equipa foi a
vitória na Taça das Taças perante o Drott da Suécia em 1990.
Mats Olsson conhecia muito bem os seus
compatriotas e foi peça fundamental ao ler antecipadamente os seus remates aos
9 metros e com saídas soberbas aos 6 metros.
Com os pontas Cabãnas e Ruíz a
trabalharem muito bem na circulação e no jogo para o pivot Puig e a 1ª linha
com Chechu Villaldea, Melo e Arason sempre à procura da melhor solução de tiro
em construção atacante conseguiram adormecer o conjunto sueco. Os livres de 7
metros ganhos inteligentemente e a defesa excepcional ao centro foram as
restantes premissas que permitiram a vitória apesar de apenas 3 golos aos 9 metros.
Em 1992 o TEKA tem a sua primeira
grande participação na principal prova de clubes da Europa. Eliminaram o
Barcelona, campeão europeu na altura, jogando com um sistema inédito de 2
pivots, Luisón a contribuir para a primeira circulação e depois juntando a
Puig, já com Medvedev a lateral direito o TEKA abusava da sustentação de jogo.
Ia triando ritmo ao jogo, transpondo-o para uma maior dinâmica de confrontos
físicos que era superior.
Na final contra o Zagreb fruto duma
incrível defesa agressiva 3x3 não conseguiram ter nenhuma fluidez de jogo, com
demasiada pressão sobre o portador da bola tiveram tremendas dificuldades no
ataque organizado e emocionalmente não estiveram bem no contra-ataque. Deixaram
o Zagreb fazer muito 1x1 e 2x2 que conseguiu arranjar alternativas à marcação
impiedosa a Puc.
Em 1993 vence a Taça IHF contra o
Dormagen já com Yakimovich e Dujshebaev. Com Yakimovich ganham maior capacidade
de remate exterior em situações que o colectivo não estava a funcionar. Com
Dujshebaev ganham dinamismo. Capacidade de fazer 1x1 e romper por espaços
laterais e fazer o 1x1 no meio. Com Garralda temível nos movimentos interiores
para rematar o TEKA tinha uma primeira linha fortíssima.
Em 1994 apesar de todas as grandes
individualidades, venceram com dificuldades o seu grupo no acesso à final. Em 6
jogos marcaram e sofreram 136 golos. E tiveram desvantagem no confronto directo
com o 2ºs e 3º classificados.
Na final contra o nosso ABC tiveram
imensas dificuldades. O 5x1 defensivo de Donner retirou Dujshebaev de boa parte
do jogo no Flávio Sá Leite. Yakimovich também esteve muito preso de movimentos.
Apenas Villaldea mais solto deu solução de tiro exterior.
Nas duas mãos aproveitaram
essencialmente o desgaste físico do ABC para resolver individualmente pelas 2
estrelas. Cederam inúmeros contra-ataques e estiveram geralmente bem na
organização defensiva.
A diferença esteve que na 2ª mão
fizeram mais bloqueios sem bola e Yakimovich esteve mais móvel a procurar o
melhor espaço para o remate. Apesar de
todas as dificuldades sagraram-se campeões europeus pela primeira vez na
história.
Em 1996 na final da Taça das Taças
faltou agressividade para marcar Zerber e Baumgartner, 2 dos mais temíveis
rematadores da década de 1990, fizeram uma defesa 4x2 demasiado tarde e não
conseguiram voltar à glória europeia.
Em 1999 já com um conjunto remodelado
não tiveram ritmo para a dinâmica do emergente do Ademar León também na final
da Taça das Taças.
Não conseguiram impor velocidade e
variedade ao jogo e com Yakimovich marcadíssimo tornaram-se muito previsíveis.
Apesar de Ortega e Soltonyi estarem bem no tiro exterior o jogo era demasiado
em esforço, para além dos contra-ataques desperdiçados.
Estes resultados podem-se considerar
extraordinários no contexto em que o clube não tinha historial europeu até
1989, mas também se pode entender que podiam ter sido melhor, se virmos que
este conjunto contou nas suas fileiras durante muitos anos com Mats Olsson,
Dujshebaev e Yakimovich entre tantas outras grandes individualidades.
O TEKA é um pouco com o PSG na actualidade, um projecto baseado em valores individuais mas que não conseguiu deixar uma ideia de jogo para a eternidade como outros conjuntos. A conexão entre Yakimovich e Dujshebaev esteve longe da qualidade individual dos mesmos.
Yakimovich foi um produto da escola bielorussa em que existe uma enorme dinâmica de jogo, no SKA Minsk fazia vários cruzamentos com o lateral direito e também ia muito à zona central, num jogo com constantes trocas de posição e de enorme criatividade de trocas de bola quer entre a 1ª linha quer com a 2ª linha.
Dujshebaev foi um produto da escola russa em que os centrais driblavam mais e marcavam como sua aquela zona, existindo menos trocas de posição, marcavam os ritmos de jogo da equipa e faziam mais 1x1, havia mais mudança de velocidade do que intensidade, o jogo era mais mecânico que dinâmico.
O mesmo
que Karabatic joga um jogo de mais 1x1 físico, de sustentação, de remate
apertado, de assistências cirúrgicas mesmo num ritmo mais baixo. Já Mikkel
Hansen prefere um jogo mais rápido de circulação de bola, com maior espaçamento
entre os jogadores, mais aberturas para os pontas, mais transições e
contra-ataque, mais soluções rápidas de remates aos 9 metros. E ao longo do
tempo não conseguiram encaixar como era suposto e por isso o PSG ainda não foi
campeão europeu.

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