Na final olímpica de
Montreal em 1976 a Roménia, bicampeã mundial era a grande favorita mas não
conseguiu contrariar a ascensão apoteótica da União Soviética.
Na altura em épocas de mundiais ou Jogos Olímpicos os clubes
soviéticos e de muitos países de leste não participavam nas competições
europeias. O tempo que seria dispensado para deslocações era guardado para
estágios internos.
O jogo soviético ainda sem jogadores de origem bielorussa,
uma escola muito mais dinâmica e criativa caracterizava-se essencialmente pela
movimentação sem bola quase axadrezada de todos os seus elementos. Parecia que
jogavam andebol num tabuleiro de xadrez.
Se teria que escolher um jogador que replicasse o modelo
soviético dos anos 70 até 86 sem dúvida que o ponta-esquerda Kidyaev, histórico
ícone do CSKA seria o eleito.
Este jogador procurava sempre o espaço interior para
receber, quer para fazer duplo-pivot, como era típico da escola soviética ou
para aproveitar as hesitações da defesa contrária e fazer o 1x1 como se fosse
um lateral esquerdo. Era fundamental na gestão de posse de bola e definição dos
ritmos de jogo, talvez pela sua maturidade táctica tenha sido treinador durante
11 anos na Alemanha.
Outro jogador fundamental era o lateral direito Klimov que
jogou na seleção de 1963 a 1978 e foi campeão do mundo como treinador em 1982
que permitia sempre grande largura ao ataque, ameaçando penetrar e de costas
fazendo variar a circulação. Um pouco como Chema Rodriguéz, actual treinador do
Benfica, fazia na zona central, com outro dinamismo naturalmente.
O guarda-redes, Central e Pivot eram tudo jogadores
originários da Ucrânia. Ischschenko o antecessor do mítico Lavrov era muito bom
a defender com os pés e transmitia grande segurança. Gassij era um central
diferente da época. Como os pontas e o lateral juntavam muito a Pivot, ao
contrário da escola alemã, no modelo soviético o Central não tinha esse tipo de
movimentos. Gassij era o jogador que acelerava o jogo, temível no 1x1, era ele o principal responsável por correr com
a bola e em movimentos individuais rematar ou dar nos laterais. Maksimov,
melhor marcador de sempre da União Soviética, estava sempre atento a receber em
zonas profundas perto da área e pronto para rematar. O Pivot Rezanov era
fundamental no trabalho de bloqueios, como todos os pivots soviéticos até 1986.
Jogadores altos, possantes, muito fixos que favorecem o tiro exterior da 1ª
linha.
A equipa soviética era uma equipa com um jogo lento com
mudanças de velocidade, várias eram as vezes em que se sentiam apertados
aproveitavam uma nesga de espaço e inteligentemente ganhavam livres de 7 metros
em jogadas que pareciam condenadas à nascença. No término dos jogos, quando o adversário
estava cansado recorriam ao lateral direito esguio Anpilogov que chegou também
a jogar a lateral esquerdo para remates de longa distância parado.
A Roménia tinha uma defesa menos agressiva que a Alemanha
Ocidental em 1978, deixavam-se envolver mais pela movimentação sem bola dos
jogadores soviéticos. No ataque a Roménia caracterizava-se por ter um Central
(Radu Voina) extraordinário a organizar o jogo sempre a procurar o melhor
momento para os remates dos laterais. Birtalan do lado esquerdo com um temível
tiro exterior, ao estilo de Lazarov, foi eleito 3 vezes o melhor jogador do
mundo e Grabowski mais a explorar a penetração do lado direito. Aliás esta
característica de ter laterais rematadores e um central essencialmente
organizador marca o sucesso do Andebol romeno. Anos mais tarde seriam
essencialmente Stinga (lateral esquerdo) melhor marcador de sempre e Dumitru
(lateral direito) os principais intérpretes. Quando o lateral direito Gatu
estava em campo o jogo era mais confuso, havia mais trocas de posição, que
permitiam por vezes ganhar 7 metros. Havia muitas trocas de passes entre
laterais e pivots em combinações de remate.
A Roménia teve alguns problemas entre os jogadores e os
treinadores derivados ao facto de Gatu não ser dado como presença no 7 inicial.
O guarda-redes Munteanu recusou-se a jogar. A coesão do bloco central soviético
permitiu surpreender a estratégia romena que desta forma perdeu uma
oportunidade única de chegar à glória olímpica.

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