sábado, 11 de setembro de 2021

União Soviética surpreendentemente campeã olímpica em 1976


        Na final olímpica de Montreal em 1976 a Roménia, bicampeã mundial era a grande favorita mas não conseguiu contrariar a ascensão apoteótica da União Soviética.

         Na altura em épocas de mundiais ou Jogos Olímpicos os clubes soviéticos e de muitos países de leste não participavam nas competições europeias. O tempo que seria dispensado para deslocações era guardado para estágios internos.

         O jogo soviético ainda sem jogadores de origem bielorussa, uma escola muito mais dinâmica e criativa caracterizava-se essencialmente pela movimentação sem bola quase axadrezada de todos os seus elementos. Parecia que jogavam andebol num tabuleiro de xadrez.

         Se teria que escolher um jogador que replicasse o modelo soviético dos anos 70 até 86 sem dúvida que o ponta-esquerda Kidyaev, histórico ícone do CSKA seria o eleito.

         Este jogador procurava sempre o espaço interior para receber, quer para fazer duplo-pivot, como era típico da escola soviética ou para aproveitar as hesitações da defesa contrária e fazer o 1x1 como se fosse um lateral esquerdo. Era fundamental na gestão de posse de bola e definição dos ritmos de jogo, talvez pela sua maturidade táctica tenha sido treinador durante 11 anos na Alemanha.

         Outro jogador fundamental era o lateral direito Klimov que jogou na seleção de 1963 a 1978 e foi campeão do mundo como treinador em 1982 que permitia sempre grande largura ao ataque, ameaçando penetrar e de costas fazendo variar a circulação. Um pouco como Chema Rodriguéz, actual treinador do Benfica, fazia na zona central, com outro dinamismo naturalmente.

         O guarda-redes, Central e Pivot eram tudo jogadores originários da Ucrânia. Ischschenko o antecessor do mítico Lavrov era muito bom a defender com os pés e transmitia grande segurança. Gassij era um central diferente da época. Como os pontas e o lateral juntavam muito a Pivot, ao contrário da escola alemã, no modelo soviético o Central não tinha esse tipo de movimentos. Gassij era o jogador que acelerava o jogo,      temível no 1x1, era ele o principal responsável por correr com a bola e em movimentos individuais rematar ou dar nos laterais. Maksimov, melhor marcador de sempre da União Soviética, estava sempre atento a receber em zonas profundas perto da área e pronto para rematar. O Pivot Rezanov era fundamental no trabalho de bloqueios, como todos os pivots soviéticos até 1986. Jogadores altos, possantes, muito fixos que favorecem o tiro exterior da 1ª linha.

         A equipa soviética era uma equipa com um jogo lento com mudanças de velocidade, várias eram as vezes em que se sentiam apertados aproveitavam uma nesga de espaço e inteligentemente ganhavam livres de 7 metros em jogadas que pareciam condenadas à nascença. No término dos jogos, quando o adversário estava cansado recorriam ao lateral direito esguio Anpilogov que chegou também a jogar a lateral esquerdo para remates de longa distância parado.

         A Roménia tinha uma defesa menos agressiva que a Alemanha Ocidental em 1978, deixavam-se envolver mais pela movimentação sem bola dos jogadores soviéticos. No ataque a Roménia caracterizava-se por ter um Central (Radu Voina) extraordinário a organizar o jogo sempre a procurar o melhor momento para os remates dos laterais. Birtalan do lado esquerdo com um temível tiro exterior, ao estilo de Lazarov, foi eleito 3 vezes o melhor jogador do mundo e Grabowski mais a explorar a penetração do lado direito. Aliás esta característica de ter laterais rematadores e um central essencialmente organizador marca o sucesso do Andebol romeno. Anos mais tarde seriam essencialmente Stinga (lateral esquerdo) melhor marcador de sempre e Dumitru (lateral direito) os principais intérpretes. Quando o lateral direito Gatu estava em campo o jogo era mais confuso, havia mais trocas de posição, que permitiam por vezes ganhar 7 metros. Havia muitas trocas de passes entre laterais e pivots em combinações de remate.

         A Roménia teve alguns problemas entre os jogadores e os treinadores derivados ao facto de Gatu não ser dado como presença no 7 inicial. O guarda-redes Munteanu recusou-se a jogar. A coesão do bloco central soviético permitiu surpreender a estratégia romena que desta forma perdeu uma oportunidade única de chegar à glória olímpica.



 

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