Críticas
internas
Após ganhar a medalha de prata em Montreal em 1976 e de ser
vice-campeão mundial de corta-mato em 1977 Carlos Lopes viveu um período de
quebra.
As sucessivas lesões fizeram com que desde 1978 a 1981 não
tenha conseguido nunca figurar no top10 das listas anuais, participar nos Jogos
Olímpicos de Moscovo em 1980 ou sequer fazer um top10 nos Mundiais de
Corta-mato. Várias foram as vozes internas que sentenciaram a sua carreira.
Imune às opiniões dos outros o fundista nacional foi campeão
olímpico na Maratona em 1984, bateu o recorde do mundo e foi líder anual em
1985, fez a terceira melhor marca do ano em 1983. Nos 10000 metros fez a 2ª
melhor marca do ano em 1982, a melhor em 1983 e a 2ª em 1984. Foi ainda a tempo
de ser campeão do mundo de corta-mato por duas vezes e de conquistar mais uma
medalha de prata.
Após ganhar a medalha de prata em Londres2012 no K2 1000
metros em conjunto com Emanuel Silva, Fernando Pimenta viveu um período de
problemas internos com a federação portuguesa de canoagem. Queria participar no
K1 1000 metros no Mundial de 2013 e foi recusado e posteriormente suspenso de
participar no Mundial. Em 2014 não conseguiu o apuramento para a final no K1
1000 metros. Em 2015 conquistou o bronze mas as condições completamente
atípicas da final do Rio em 2016, com a influência das algas atiraram-no para
fora do pódio juntamente com os outros favoritos René Poulsen e Max Hoff.
Viveu tempos difíceis após esse 5º lugar. Choveram críticas
infundadas, segundo o próprio, alguns até achavam que não era digno de
representar Portugal.
Fernando Pimenta respondeu sagrando-se o primeiro bicampeão mundial e tricampeão europeu (2ª melhor sequência da história) de K1 1000 metros desde 2010. No actual momento leva 5 medalhas consecutivas em K1 1000 metros em mundiais melhor só Helm com 7 em 1983 e Holmant em 1999.
Oposição Nacional
Carlos Lopes perdeu várias vezes para o seu
colega do Sporting Fernando Mamede ao longo da carreira. António Leitão, bronze
nos 5000 nos JO1984 fez também parte da seleção nacional ao longo do percurso
de Carlos Lopes. Entre muitos outros o corredor nacional teve colegas que o
ajudaram na preparação.
Em 1984 na épica disputa pelo recorde mundial nos
10000 metros com Fernando Mamede foi peça fundamental pelo apoio psicológico e
táctico ao alentejano. Em 1985 por exemplo perdeu o título nacional de
corta-mato para Fernando Mamede. Não era possível vencer sempre. Apesar da
rivalidade desportiva, Carlos Lopes sempre foi exemplar com os colegas,
recebendo e retribuindo o respeito e apoio. E todo esse clima positivo foi
fundamental para as suas conquistas.
Fernando Pimenta este ano
ficou em 2º lugar no K1 500 metros no campeonato nacional, perdendo para o
seu colega do Benfica João Ribeiro, actual vice-campeão mundial na distância. No início da carreira a maior experiência de Emanuel Silva foi
importante no crescimento de Fernando Pimenta. Hoje, frequentemente João
Ribeiro e Fernando Pimenta apoiam-se com elogios públicos mútuos. O espírito de
camaradagem dos vice-campeões mundiais de K2 500 metros têm sido um
pêndulo importante na evolução da carreira de ambos.
Regularidade apesar de começo tardio
Contabilizando
10000 metros, maratona e corta-mato Carlos Lopes conseguiu estar durante 6 anos
pelo menos numa destas vertentes no top4 Mundial. Ninguém conseguiu mais até
1999. Na contagem do melhor resultado em cada época na pista e na maratona em
campeonatos mundiais/jogos olímpicos, circuito mundial (anos sem mundiais e
Jogos Olímpicos), listas mundiais do ano (anos sem mundiais e Jogos Olímpicos),
mundiais de corta-mato; Carlos Lopes totalizou 5 vitórias e 4 segundos lugares.
O mesmo que Paul Tergat. É sempre discutível decidir quem é o melhor, ainda
para mais em épocas distintas, mas é indubitável que o melhor fundista do
século XX a partir de 1960 (em que começam a existir dados oficias de listas
anuais) juntando todas as vertentes só poderá estar entre Carlos Lopes, Paul
Tergat e Haile Gebresselaisse.
Carlos
Lopes conseguiu chegar a este estatuto apesar dos seus primeiros grandes
resultados no corta-mato, 10000 metros e maratona terem aparecido numa idade
avançada sem precedentes na história do atletismo no século XX. Alcançou 5
medalhas nos Mundiais de Corta-Mato depois dos 29 anos, Mariano Haro e Paul
Tergat os únicos por três vezes em toda a história e Mohammed Mourhit o único
por duas. Conseguiu por sete vezes estar no top8 nas listas mundiais do ano de
5000,1000 e Maratona no século XX desde os 33 anos. Por mais que uma vez apenas
apenas Yifter o fez por 4 vezes e Hammou Boutayeb por duas. Se falarmos no top3
conseguiu 6 vezes e Yifter o único por 2 vezes.
Apesar
de na Canoagem ser mais normal que os resultados apareçam numa idade mais
avançada porque mover-se em meio
fluido necessita de muita sensibilidade, e tempo para a ganhar, como já
descrito anteriormente Fernando Pimenta comparativamente com os seus rivais
históricos apresentou resultados de relevo numa idade mais avançada.
Isso não o impediu de alcançar todos os registos
de completude como frisamos anteriormente. Se mantiver os resultados deste
ciclo olímpico após Paris 2024 será o terceiro canoísta com melhor palmarés em
K1 1000 metros em Mundiais e Jogos Olímpicos desde 1960.
Actualmente é o segundo melhor de sempre em
Europeus e mantendo os resultados em 2024 alcançará o primeiro lugar.
(Parte IV em breve)
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