Mentalidade
Carlos Lopes frisou que os Jogos Olímpicos de
Munique1972 foram fundamentais para a sua carreira. Nestes Jogos Olímpicos não
alcançou finais mas segundo o próprio, poder ter observado o comportamento dos
atletas de topo nas mais variadas disciplinas do atletismo, fê-lo entender o
que precisava para chegar lá. Começou a construir uma ambição sem precedentes
no desporto português. Em 1976 tornou-se o primeiro português campeão do mundo
de uma modalidade olímpica. Não se revia na mentalidade de “ir apenas para
participar”, porque o seu único objectivo “era ganhar”.
Por isso em 1983 a
Maratona começou a fazer parte do seu calendário de provas, porque sabia que
era nesta disciplina que tinha mais possibilidades de ser campeão olímpico, por
mais que preferisse correr os 10 mil metros.
Em Los Angeles 1984
abdicou de estar na Aldeia Olímpica em prol da sua preparação ser a melhor
possível. Mesmo após a glória olímpica não quis terminar a carreira. Queria
mais porque achava que podia mais. Em 1985 bate o recorde mundial da Maratona e
sagra-se no Jamor, tricampeão mundial de corta-mato, sendo o último europeu
nascido na europa a fazê-lo.
Carlos Lopes
simultaneamente teve a humildade de quer aprender e escutar adversários
estrangeiros, colegas de treino, treinador ao mesmo tempo que desenvolveu um
espírito de ambição totalmente pioneiro na história do desporto olímpico
português. Uma garra, resiliência e sacríficos ímpares que criaram um legado
que hoje beneficiamos.
Apesar de a partir dos 30
anos praticamente nenhum atleta tenha criado resultados de relevo, Carlos Lopes
não quis sabes das tendências. Foi contra a história do atletismo e do desporto
nacional e realizou feitos notáveis em todas as perspectivas imagináveis.
Quem vê as cerimónias de
pódio na Canoagem vê Fernando Pimenta com o mesmo espírito a fazer a selfie,
seja em 2013 em que não era normal ganhar ou em 2021 em que já é um histórico
da canoagem mundial. Sempre respeitou os adversários e manteve a mesma postura
independente do estatuto que tinha.
Diz que Balint Kopasz é o
melhor competidor possível, um grande amigo fora de água, e que o faz evoluir.
Fernando Pimenta ganhou
uma medalha de bronze na Canoagem inédita num evento individual olímpico para
Portugal. Mas isso não o fez perder o foco. Regressou o mais cedo possível a
Portugal para poder estar com a família e ter um merecido curto descanso.
Porque ainda haveria algo mais para ganhar. Aceitou prolongar a época por mais
um mês e fez história na Dinamarca sagrando-se o primeiro bicampeão mundial de
K1 1000 metros desde 2010.
Em Tóquio2020 falou que
não descarta participar em Brisbane2032, aos 43 anos. Apesar de todo o sucesso,
quer tal como Carlos Lopes fazer mais e melhor, escutando os outros e tendo uma
sede de vitórias como se ainda não tivesse alcançando o primeiro grande título.
Conclusão
A história destas grandes
figuras do desporto português como verificamos é muito similar em todas as
vertentes. Pela lógica poderíamos dizer que Fernando Pimenta vai ser campeão
olímpico. Futurologia é algo que ninguém pode fazer com um grau absoluto de
certeza.
Carlos Lopes não venceu
nenhum europeu, mundial ou Jogos Olímpicos nos 10000 metros e não deixou de ser
capa do L’Equipe de aparecer nos Simpons e de ainda ser um dos maiores
fundistas da história apesar de no espaço mediático outros nomes injustamente
estarem à sua frente.
Independentemente do
desfecho olímpico da carreira de Fernando Pimenta, têm já o seu nome consagrado
na história da Canoagem, a Federação Internacional já o apelida de “lenda”.
Infelizmente pelo facto da
canoagem de velocidade estar completamente fora do espaço olímpico mediático é
quase impossível ter um reconhecimento olímpico internacional condicente com o
seu valor, mas isso em nada abala tudo o que nos deu e dará.
Carlos Lopes e Fernando
Pimenta, dois grandes atletas, que pelo seu percurso, maneira de estar, capacidade
pioneira, ambição contra todas as tendências históricas deixam um marco e um
legado indubitável no desporto português. Que aprendamos com eles para que o
nosso desporto e sociedade seja cada vez melhor.
Obrigado!
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