quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Estrelas ignoradas em Tóquio 2020





Os Jogos Olímpicos são entendidos como a união da diversidade de vários desportos. Na prática essa diversidade acontece sempre de uma maneira muito pouco equilibrada.

Infelizmente os destaques dos Jogos Olímpicos são quase sempre apenas desportistas do Atletismo, Natação e Ginástica Artística. Neste contexto o Desporto Total preparou este post para falar de todas as estrelas que foram injustamente completamente ignoradas pela comunicação social nacional e internacional.

Atletas bicampeões olímpicos de eventos individuais:

Lisa Carrington-Nova Zelândia (K1 200 ; K1 500 ) Feminino

A canoísta neozelandesa venceu as duas provas individuais de Kayaks na Canoagem de Velocidade. Venceu os 200 metros com 7 décimas de vantagem e Recorde Olímpico e os 500 com 6 décimas. Diferenças muito pouco usuais. No K1 200 metros somou 10 títulos consecutivos entre mundiais e Jogos Olímpicos em 10 anos tornando-se a primeira desportista (homem ou mulher) na história a alcançar esta proeza. Ver Lisa Carringhton em K1 200 metros (já tive o prazer de ver ao vivo) é como ver Bolt nos 100 metros na forma de 2008,2009 e 2012 durante 10 anos seguidos. A disciplina vai sair do programa olímpico em 2024 e todos os títulos olímpicos da história pertenceram a esta fantástica atleta.

Vitalina Batsarashkina- ROC (10 metros Ar comprimido e 25 metros) Feminino CONFIRMAR

Mesmo sem vencer com uma das maiores margens de sempre conseguiu vencer os 2 eventos individuais da categoria feminina. Uma demonstração inequívoca de superioridade rara em contexto olímpico

Harrie Lavreysen- Holanda (Sprint e Keirin) Feminino

Vencendo as provas de Sprint e Keirin a holandesa assumiu-se como a grande figura do ciclismo de pista destes campeonatos, conseguindo uma dupla proeza que não é normal na modalidade ao longo da sua história olímpica.

Atletas campeões olímpicos com marcas de grande registo:

Romain Cannone – FRA (Esgrima-Espada) Masculino

Venceu a MF e a Final por 15-10, fazendo com que os adversários nas fases mais adiantadas não tenham chegado a superar 2/3 dos seus pontos. Uma proeza raríssima na esgrima, que não pode deixar de ficar em branco.

Maksim Khramtsov e Vladislav Larin –ROC (Taekwondo -80; +80) Masculino

O primeiro venceu a MF por 13-1 e a final por 20-9. O segundo a MF por 30-3 e a final por 15-9. Ambos tiveram mais do triplo dos pontos dos adversários. Têm já o seu nome gravado na história do Taekwondo.

Jolanda Neff Suiça (Ciclismo-Montanha) Feminino

Depois de ter uma rotura no braço e colapso no pulmão o COVID permitiu-lhe estar nos JO. Perdeu a mãe 6 semana antes. Liderou a histórica armada suíça que conquistou todas as 3 posições de pódio com 1:11 de vantagem sobre a 2ª classificada. Simplesmente notável, um dos grandes momentos de superação na história dos Jogos Olímpicos.

Flora Duffy Bermudas (Triatlo) Feminino

Depois de muitas vitórias completamente isoladas no Circuito mundial ao longo da carreira a triatleta das Bermudas venceu com 1:14 minutos de vantagem, numa demonstração total de superioridade dando a primeira medalha de sempre do país na história dos JO.

Z. Shi China (Halterofilismo 73 Kg) Masculino

Bateu o recorde mundial com 364 Kg e venceu com 18 Kg de vantagem.

Hamada Japão (Judo -78) Feminino

Nuns JO com muitos combates decisivos decididos no Golden Score ou por Wazari a judoca Japonesa com duas imobilizações extraordinárias derrotou categoricamente as suas adversárias nas MF e Final.

Balint Kopasz  Hungria (K1 1000 metros) Masculino

Bateu o recorde olímpico com 3.20. A partir dos 500 metros subiu e realizou uma corrida quase a solo vencendo com quase 2 segundos de vantagem, maior diferença desde 1956. O pai e a mãe foram canoístas. Está explicada a razão por termos um dos maiores talentos da história da modalidade. Esperemos que Fernando Pimenta volte a encontrar o antídoto para o derrotar nas grandes competições.

Lasha Talakhadze- Geórgia (Halterofilismo +109) Masculino

Bateu o Recorde Mundial com 488 Kg e teve 37 Kg! de vantagem perante o 2º. Que maneira de fechar o halterofilismo.

Stefan da Costa e Sidakov- França e ROC (Karaté 67;74) Masculino

Com vitórias por 5-2 e 5-0 e 11-0 e 7-0 na meia-final e final respectivamente estes atletas elevaram o nome do Karaté nestes JO

Susaki- Japão (Wrestling Estilo Livre 50 Kg) Feminino

Vencendo na MF por 11-0 e na Final por 10-0 a atleta nipónica deu-nos a última grande demonstração individual destes JO.

Atletas que fizeram feitos que os colocam na história dos Jogos Olímpicos:

Mijaín Lopez-Cuba (Wrestling Luta Greco-Romana 130 Kg ) Masculino

Sagrou-se tetracampeão olímpico de um evento olímpico ao longo de 4 JO feito apenas igualado por: Micahel Phelps (Natação), Carl Lewis e Al Oerter (Atletismo), Paul Elvstrømna (Vela) e Kaori Icho (Japão) ao longo da história. As corridas atrás dos animais e nas caixas de frutas que carregava na infância serão o segredo do seu sucesso apesar da  dupla fratura de tíbia e fíbula que sofreu aos treze anos.

Isabell Werth- Alemanha (Hipismo Dressaje) Feminino

Conquistando a medalha de Prata tornou-se a primeira desportista de sempre a conquistar 6 medalhas em eventos individuais em 6 JO de Verão diferentes. Com um Ouro e 5 Pratas deixou definitivamente o seu nome na história dos JO suplantando Ralf Schumann (Tiro) e Valentina Vezzali (Esgrima) com 5.

Os Jogos Olímpicos são isso mesmo: a excelência do ser humano através do desporto nas suas mais diversas vicissitudes.

Tóquio 2020 é muito mais que Caeleb Dressel, Emma McKeon, Sifan Hassan, Kayle McKeown, Thompson, Ledechy, Titmus, Rylov, Robert Finke, Yui Ohaski, Tatjana Schoenmaker, Rojas, Warholm e McLaughin.


 

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