A transmissão televisiva dos Jogos
Olímpicos ao longo da história sempre foi um momento importantíssimo para dar a
conhecer ao público novas modalidades e atletas. Muitos desportos pela ausência
da sua influência global ou por uma ausência de participação portuguesa tinham
nos Jogos Olímpicos, de 4 em 4 anos, a única possibilidade de chegarem aos
portugueses.
Os Jogos
Olímpicos eram por isso uma competição altamente democrática, em que uma
multiplicidade de desportos se publicitava, mostrando ao espectador a riqueza
da diversidade da humanidade através do desporto.
Desde
2010 os vídeos no YouTube passaram a ter mais de 10 minutos e as federações
internacionais começaram a colocar as suas competições oficiais nesta
plataforma permitindo a qualquer pessoa no mundo gratuitamente assistir às
Taças do Mundo, Circuito Mundial e Campeonato do Mundo das mais variadas
modalidades. Outras colocaram as suas provas noutras plataformas, pelo que
chegamos a 2021 e praticamente todas as modalidades fora do top10 de desportos
mais visualizados no mundo têm as suas competições internacionais do escalão
sénior disponibilizadas gratuitamente em directo e em diferido.
Esta
revolução digital permitiu que muitos desportos crescessem e que os seus
praticantes se tenham tornado consumidores dos mesmos e não apenas de 4 em 4
anos.
Muitos países, entre os quais Portugal, apenas tiveram um
canal a emitir ao mesmo tempo as competições desportivas. E muitas das vezes,
as mesmas foram interrompidas para repetições ou motivos de reportagem.
Pelo
que, ao contrário do que acontecia antigamente, os JO tornaram-se a competição
internacional menos acessível dos desportos menos influentes do mundo. Os JO
deixaram de estar disponíveis gratuitamente em directo e em diferido. A
integralidade dos JO para a maior parte dos países europeus tornou-se apenas
disponível através de um serviço pago (Eurosport Player).
Sabendo
que o COI redistribuí 90% do dinheiro que recebe às federações, os direitos
televisivos assumem importância primordial para as federações internacionais.
As federações são classificadas em função das suas visualizações para a redistribuição
económica e para o aumento ou diminuição das suas quotas olímpicas.
Acabando
com um sistema digital que permitia ao consumidor escolher o desporto que
queria ver, naturalmente, que os principais desportos (escolhidos pelas
televisões) tiveram muito maior acessibilidade que os outros.
Até
a transmissão dos melhores momentos em diferido fora das plataformas das
televisões ou do COI foi bloqueada limitando o acesso das mesmas ao
telespectador.
Os
JO terminaram e o COI disponibilizou no seu site a transmissão integral de
todos os eventos. Mas tudo isto aconteceu, num contexto em que já se conhece os
resultados, sendo por isso muito menos atractivo para o consumidor.
O
olimpismo é mais que os Jogos Olímpicos. Os valores olímpicos: excelência,
amizade e respeito de todos os desportos estão presente em todas as suas
competições ao longo de um ciclo olímpico. Por esta razão desportivamente e não
só, urge como espírito olímpico continuar a acompanhar os desportos que preferimos
ao longo do ciclo e não apenas nos JO. Contudo não devemos aceitar que os JO se
tornem a competições menos acessível ao longo de um ciclo olímpico.
Eu
comecei a seguir dezenas de desportos internacionalmente após os JO de
Londres2012 e de Inverno PyongChang2018. Os JO são mais uma
competição de pelo menos 10 que sigo desses desportos ao longo de um
ciclo olímpico, mas sem eles nunca tinha tido despoletado em mim interesse de
seguir esses desportos.
Mais
do que um fim em si mesmo, os JO têm um legado a todos os níveis para todos
nós.
Os
Jogos Olímpicos não terminaram e regressam em Paris2024, aqui no Desporto Total
estarão sempre presentes. Este sim, é o verdadeiro legado de Pierre de
Coubertin.

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