domingo, 12 de setembro de 2021

Transmissão Televisiva Tóquio2020

 

        


    

A transmissão televisiva dos Jogos Olímpicos ao longo da história sempre foi um momento importantíssimo para dar a conhecer ao público novas modalidades e atletas. Muitos desportos pela ausência da sua influência global ou por uma ausência de participação portuguesa tinham nos Jogos Olímpicos, de 4 em 4 anos, a única possibilidade de chegarem aos portugueses.

         Os Jogos Olímpicos eram por isso uma competição altamente democrática, em que uma multiplicidade de desportos se publicitava, mostrando ao espectador a riqueza da diversidade da humanidade através do desporto.

         Desde 2010 os vídeos no YouTube passaram a ter mais de 10 minutos e as federações internacionais começaram a colocar as suas competições oficiais nesta plataforma permitindo a qualquer pessoa no mundo gratuitamente assistir às Taças do Mundo, Circuito Mundial e Campeonato do Mundo das mais variadas modalidades. Outras colocaram as suas provas noutras plataformas, pelo que chegamos a 2021 e praticamente todas as modalidades fora do top10 de desportos mais visualizados no mundo têm as suas competições internacionais do escalão sénior disponibilizadas gratuitamente em directo e em diferido.

         Esta revolução digital permitiu que muitos desportos crescessem e que os seus praticantes se tenham tornado consumidores dos mesmos e não apenas de 4 em 4 anos.

          Muitos países, entre os quais Portugal, apenas tiveram um canal a emitir ao mesmo tempo as competições desportivas. E muitas das vezes, as mesmas foram interrompidas para repetições ou motivos de reportagem.

         Pelo que, ao contrário do que acontecia antigamente, os JO tornaram-se a competição internacional menos acessível dos desportos menos influentes do mundo. Os JO deixaram de estar disponíveis gratuitamente em directo e em diferido. A integralidade dos JO para a maior parte dos países europeus tornou-se apenas disponível através de um serviço pago (Eurosport Player).

         Sabendo que o COI redistribuí 90% do dinheiro que recebe às federações, os direitos televisivos assumem importância primordial para as federações internacionais. As federações são classificadas em função das suas visualizações para a redistribuição económica e para o aumento ou diminuição das suas quotas olímpicas.

         Acabando com um sistema digital que permitia ao consumidor escolher o desporto que queria ver, naturalmente, que os principais desportos (escolhidos pelas televisões) tiveram muito maior acessibilidade que os outros.

         Até a transmissão dos melhores momentos em diferido fora das plataformas das televisões ou do COI foi bloqueada limitando o acesso das mesmas ao telespectador.

         Os JO terminaram e o COI disponibilizou no seu site a transmissão integral de todos os eventos. Mas tudo isto aconteceu, num contexto em que já se conhece os resultados, sendo por isso muito menos atractivo para o consumidor.

         O olimpismo é mais que os Jogos Olímpicos. Os valores olímpicos: excelência, amizade e respeito de todos os desportos estão presente em todas as suas competições ao longo de um ciclo olímpico. Por esta razão desportivamente e não só, urge como espírito olímpico continuar a acompanhar os desportos que preferimos ao longo do ciclo e não apenas nos JO. Contudo não devemos aceitar que os JO se tornem a competições menos acessível ao longo de um ciclo olímpico.

         Eu comecei a seguir dezenas de desportos internacionalmente após os JO de Londres2012 e de Inverno PyongChang2018. Os JO são mais uma competição  de pelo menos 10 que sigo desses desportos ao longo de um ciclo olímpico, mas sem eles nunca tinha tido despoletado em mim interesse de seguir esses desportos.

         Mais do que um fim em si mesmo, os JO têm um legado a todos os níveis para todos nós.

         Os Jogos Olímpicos não terminaram e regressam em Paris2024, aqui no Desporto Total estarão sempre presentes. Este sim, é o verdadeiro legado de Pierre de Coubertin.

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